
Portugal e o hóquei em patins, uma relação de amor profundo
iniciada há mais de um século - como aliás já demos conta numa anterior visita
ao Museu Virtual do Desporto Português - que ao longo do tempo conheceu largas
dezenas de capítulos de felicidade extrema, sobretudo quando se fala em
competições ao nível de seleções nacionais, onde os lusos dividem com a Espanha
o trono do hóquei patinado a nível internacional - no que a títulos diz
respeito. Porém, no que concerne às competições clubísticas Portugal vive um
pouco na sombra dos eternos inimigos do lado de lá da fronteira, ao ostentar um
currículo um pouco menos volumoso, por assim dizer, que os castelhanos,
sobretudo na prova rainha do hóquei em patins continental, isto é, a Liga
Europeia, outrora denominada de Taça dos Clubes Campeões Europeus. É pois sobre
as coroas de glória do hóquei patinado português alcançadas além fronteiras que
o nosso museu abre hoje as suas portas, para recordar as sticadas certeiras de
lendas como Vítor Hugo, Carlos Realista, Paulo Alves, Pedro Alves, Chana, Vítor
Fortunato, ou daquele que é considerado como o maior hoquista de todos os
tempos - a nível mundial - e que para orgulho da nação lusitana é nosso, de seu
nome António Livramento.
Liga Europeia/Taça dos Campeões Europeus:
uma mão cheia de
títulos num imenso mar espanhol
Iniciando esta nossa visita ao passado pela prova rainha da
CERH - Comité Europeén de Rink Hockey -, o organismo que tutela o hóquei patins
a nível europeu, competição essa que hoje em dia é conhecida como Liga
Europeia, mas que aquando do seu nascimento, na temporada de 1965/66, foi
batizada de Taça dos Clubes Campeões Europeus - à semelhança do que acontecia
no futebol - onde facilmente se poderá constatar o avassalador domínio exercido
pelos emblemas espanhóis, domínio esse expresso em 42 títulos conquistados -
pelo menos até à data em que escrevemos estas linhas - contra apenas cinco
triunfos portugueses, e um italiano.
Réus (com seis títulos), Voltregà (com três), e Barcelona
(com dois) chamaram a si o domínio da primeira década de vida da Taça dos
Campeões Europeus (TCE), sendo que seria preciso esperar quase até ao final dos
anos 70 para ver finalmente o troféu viajar para as vitrinas de um clube
português.
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Equipa do Sporting que conquistou a TCE de 1977 |
SPORTING 1976/77: Tal feito seria alcançado por aquele que
muitos consideram o dream team (equipa de sonho) do hóquei patinado
internacional ao nível de clubes, como a equipa mais virtuosa de todos os
tempos com o stick na mão: o Sporting Clube de Portugal. Os leões dominavam a
seu bel prazer, e sobretudo com uma enorme classe, o panorama interno da
modalidade, sendo que entre 1974 e 1978 os lisboetas arrecadaram quatro títulos
de campeão nacional consecutivos, aos quais juntaram ainda mais duas Taças de
Portugal. Performance alcançada graças a um naipe de hoquistas talentosos,
casos do guarda-redes António Ramalhete, João Sobrinho, Vítor Carvalho
(conhecido no planeta do hóquei como Chana), Júlio Rendeiro, ou de um tal de
António Livramento, que hoje é considerado de forma - quase - unânime como o
maior jogador mundial de todos os tempos.
O primeiro obstáculo leonino na memorável caminhada europeia
era oriundo de uma terra com fortes tradições no hóquei em patins: Montreux,
cidade suíça onde a modalidade é vivida de uma forma muito especial. A história
do duelo entre o Montreux HC e o Sporting resume-se aos golos, aos muitos
remates certeiros com que os leões despacharam a turma helvética. Na primeira
mão, em Lisboa, o marcador indicou um esclarecedor 18-1 a favor dos
portugueses, enquanto que na segunda o score foi um pouco menos pesado: 11-3
para os verde-e-brancos.
Seguiram-se as meias-finais, onde o Sporting encontrou nada
mais nada menos do que o bi-campeão europeu em título, o Voltregà, poderosa
equipa espanhola.A primeira mão foi disputada em Espanha... numa piscina!
Passamos a explicar. O rinque dos espanhóis era descoberto, sendo que no dia do
duelo um autêntico dilúvio se abateu sobre a pista, dificultando assim ao
máximo a vida dos jogadores, principalmente os sportinguistas, pouco habituados
ao hóquei disputado ao ar livre debaixo de um temporal. Consequência - ou não -
dessa inexperiência foi o resultado de 5-2 a favor do Voltregà. No jogo de
volta o Sporting puxaria dos seus galões, dando uma verdadeira aula de bem
jogar hóquei em patins aos campeões europeus em título. Resultado desse
memorável recital de hóquei foi uma vitória portuguesa por 8-3, com um score
total - nas duas mãos - de 10-8 e a merecida passagem à final.
Encontro decisivo onde o adversário seria de novo espanhol,
desta feita o Villanueva, conjunto onde pontificava o mítico guarda-redes
internacional do país vizinho Carlos Trullols. A primeira mão da final teve
lugar em Lisboa, diante um pavilhão repleto de leões, que de garras afiadas
empurraram a sua equipa para mais uma exibição lendária. 6-0, resultado final a
favor dos portugueses, e o título estava praticamente assegurado. No final, em
jeito de desabafo o célebre portero Trullos disse: «sofri seis golos, e fiz uma
das melhores exibições da minha vida». A 18 de junho de 1977 os leões entram na
arena de Villanueva para agarrar de vez o primeiro título europeu para o hóquei
patinado lusitano. Uma nova vitória - desta feita por 6-3 - deu aos lisboetas o
seu primeiro título continental, um título que abriu as portas do êxito para
outras equipas lusas nas décadas seguintes nas três provas organizadas pela
CERH.
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A equipa do FC Porto que em 1986 conquistou a primeira TCE
do clube |
FC PORTO 1985/86: A vitória do Sporting na TCE de 77 foi
como que uma pedrada no charco face ao domínio espanhol na principal prova da
CERH. Mas... foi sol de pouca dura. Nos oito anos que se seguiram a taça voltou
a morar em Espanha, e de forma sistemática na casa do FC Barcelona, que ao
conquistar o título europeu durante oito temporadas consecutivas estabeleceu um
recorde no planeta do hóquei que perdura até aos dias de hoje. Foi pois preciso
esperar até 1986 para voltar a ver uma equipa portuguesa voltar a envergar a
coroa de rei da Europa. Ano este em que o FC Porto acabou com o reinado
catalão, conquistado a primeira das suas duas TCE. Portistas que na temporada
transata haviam sido derrotados pelo Barça na final da prova, pela diferença
de... um só golo (9-10 no conjunto das duas mãos). FC Porto que na década de 80
vivia a melhor fase da sua história, no que a hóquei em patins dizia respeito.
Sob o comando diretivo de Ilídio Pinto os azuis e brancos dominariam o hóquei
luso com a conquistas de seis títulos de campeão nacional (em dez possíveis), e
outras tantas Taças de Portugal. Na Europa haviam sido sticadas com êxito (em
1982 e 1983) duas edições da Taça das Taças, êxitos alcançados através de um
hóquei sublime interpretado por astos como António Alves, Fanã, Vale, Vítor
Hugo, ou Cristiano Pereira. último jogador este que a meio da gloriosa década
decide pendurar os patins e assumir o comando técnico do clube onde se tornou
num Deus do hóquei, rivalizando em popularidade com o sportinguista António
Livramento. Em 1986 Cristiano edificou aquela que muitos classificam como a
equipa mais poderosa que o clube armou com os patins e os sticks, um exército
temido composto pelo mago Vítor Hugo, o capitão António Alves, Vítor Bruno, o
lendário guarda-redes Franklim, o virtuoso Carlos Realista, ou a então jovem
promessa Tó Neves. Na primeira eliminatória o FC Porto sticou para fora da
prova os holandeses do Residentie, graças a uma vitória caseira por 10-6 na
primeira mão, realizada na Cidade Invicta, e uma surpreendente derrota (!) por
4-5 na Holanda. Quiseram os caprichos do sorteio que nas meias-finais os
portistas medissem forças com o eterno detentor do título, o poderoso
Barcelona, carrasco dos Dragões na final de 1985, como já vimos. A primeira mão
foi disputada no Palau Blaugrana, na Catalunha, onde os portistas fizeram uma
partida memorável ao suster a sufocante avalanche que o Barça fez à baliza de
Franklin durante todo o encontro. 5-5 foi o resultado final, um empate que
soube a vitória.
O Pavilhão Dr. Américo de Sá acolheu a segunda mão.
Completamente lotado o hoje desaparecido recinto presenciou mais uma exibição
de gala da equipa da casa, expressa num inolvidável triunfo por 6-4, que
garantia assim o passaporte para a final continental.
Rei morto, rei posto, o Barcelona terminava ali o seu
reinado, passando a coroa ao FC Porto, que na final voltou a não dar hipóteses
aos seus opositores, neste caso os italianos do Novara. Uma equipa fortíssima,
onde pontificavam inúmeros internacionais transalpinos, como por exemplo o
guarda-redes Piemontesi, Bernardini, Del Lago, ou Massimo Mariotti. O primeiro
duelo da final foi disputado no Porto, e equipa da casa apoiada freneticamente
pela sua massa adepta venceu por 5-3, uma margem mínima, é certo, mas que
começava a desenhar no horizonte a concretização do velho sonho de conquistar a
Europa do hóquei. O presidente do clube, Jorge Nuno Pinto da Costa,
apercebendo-se quiçá da proximidade que o seu emblema se encontrava da História
fez questão de viajar com a equipa para Itália. Ali - na pista do Novara -
testemunhou in loco o ambiente para lá de hostil com que o seu clube foi
brindado pelos fanáticos adeptos transalpinos, que durante toda a partida não
se pouparam em assobios e insultos aos jogadores portugueses. Seria preciso uma
enorme garra, uma vontade férrea para ultrapassar aquele obstáculo e alcançar o
paraíso. E o FC Porto conseguiu fazê-lo. Porém, ao intervalo a taça estava mais
inclinada para ficar em Itália do que em viajar para Portugal, já que o Novara
cilindrava os lusos por 5-1. Reza a lenda que Pinto da Costa terá descido ao
balneário para dizer aos seus atletas que não havia feito aquela viagem para
ver o Novara sagrar-se campeão da Europa diante do seu público... As palavras -
ou puxão de orelhas? - presidenciais serviram de incentivo para que na segunda
parte o FC Porto arrancasse para uma exibição memorável, e fazendo ouvidos
moucos aos assobios e insultos que continuavam a cair no rinque de Novara, os
portistas acabariam por dar a volta ao marcador e vencer por 7-5, e desta forma
erguer o caneco de reis da Europa do hóquei, ao mesmo tempo em que os italianos
em fúria arremessavam vários objetos para a pista em direção aos novos campeões
europeus.
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FC Porto bi-campeão europeu em 1990 |
FC PORTO 1989/90: O hóquei em patins português vivia uma
fase dourada no que à presença no jogo decisivo da TCE dizia respeito. Depois
da conquista de 86 os portistas voltaram a marcar presença na final na época
seguinte, caindo aos pés dos galegos do Liceo da Coruña. Em 1989 o Sporting foi
batido pelo Noia, e um ano mais tarde o Porto estava de regresso à final. No
plano interno os nortenhos repartiam o domínio com os rivais da capital -
Benfica e Sporting - e com o caloiro Óquei de Barcelos, que com o passar dos
anos haveria de se tornar num dos mestres do hóquei luso. Na caminhada europeia
de 89/90 a primeira vítima dos portistas foi o Walsum, da Alemanha, que não
teve armas, ou melhor, sticks, para contornar a mais do que evidente
superioridade dos portugueses, conforme podem comprovar as duas inquestionáveis
vitórias (4-1 e 6-0). Nas meias-finais o grau de dificuldade aumentou
ligeiramente, até porque o adversário era de Espanha - a eterna inimiga do
hóquei português - e dava pelo nome de Igualada. Porém, as estrelas de Vítor
Hugo e companhia continuavam a reluzir de forma vincada nos ceús do hóquei
mundial, e com muita classe o FC Porto cilindrou os castelhanos com dois
triunfos (8-4 e 4-2), alcançando desta forma a quarta final da TCE da sua
história. Jogo decisivo onde iria encontrar o campeão em título, o Noia, que à
semelhança dos conterrâneos do Igualada não teve argumentos para bater Vítor
Hugo, Realista, Vítor Bruno, Tó Neves, e Franklin, um "cinco de ouro"
que com dois triunfos (6-0 e 5-2) trouxe para a Invicta o segundo caneco
europeu mais desejado.
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Plantel do Óquei de Barcelos que em 1991 entrou para
a notável galeria dos campeões europeus
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ÓQUEI DE BARCELOS 1990/91: Em meados da década de oitenta
começa a despontar no mapa nacional - e posteriormente internacional - do
hóquei em patins uma pitoresca vila minhota. Barcelos, assim se chama. Terra
cujo amor pelo jogo do stick é ardente e intenso. Sem qualquer título nacional
no seu currículo até então o Óquei de Barcelos surpreendeu a Europa em 90/91 ao
arrecadar a prova rainha da CERS na sequência de um trajeto imaculado, onde se
recorda não só a épica final ante o Roller Monza mas também a eliminatória com
o campeão em título, o FC Porto. O primeiro obstáculo dos galos na caminhada
vitoriosa veio da Alemanha, e dava pelo nome de Walsum, combinado frágil como
comprova o score - no total das duas mãos - de 29-6 com que a esta
pré-eliminatória foi fechada. Seguiu-se então o duelo lusitano, uma final
antecipada, entre portistas e barcelenses, com a primeira mão a ser jogada no
rinque do Barcelos, tendo terminado com uma igualdade a quatro golos.
Pensava-se que face à sua maior experiência neste tipo de eventos os campeões
da Europa em título iriam resolver a questão no seu pavilhão diante do seu
público na semana seguinte, mas... nem sempre a teoria se confirma na prática.
Cristiano Pereira era o treinador dos minhotos, e acima de tudo um profundo
conhecedor da filosofia dos portistas, afinal ele havia sido não só o melhor
jogador da história dos azuis-e-brancos como também o arquiteto dos dois
títulos europeus que o FC Porto havia conquistado num passado recente. Tudo
somado, Cristiano tinha o antídoto para deixar por terra os detentores do
troféu. E assim foi. 5-4, resultado final do encontro da segunda mão a favor
dos barcelenses, que assim exultavam de alegria face à possibilidade de
conquistar um título que estava muito, mas muito perto. Até porque o adversário
das meias-finais vinha de um país (França) que se encontrava - e encontra -
vários degraus abaixo dos mestres lusitanos na arte de manusear o stick, e como
tal não iria oferecer grande resistência aos guerreiros minhotos. Na verdade o
jogo ante os campeões franceses, o La Roche, não foi mais do que um treino. A
eliminatória ficou desde logo resolvida em terras gaulesas, onde o Óquei de
Barcelos venceu por expressivos 22-3. No Minho o caudal ofensivo barcelense
voltou a sufocar os inofensivos franceses, que da bela localidade situada a
norte de Portugal levaram mais uma cesta cheia de golos: 22, novamente, sendo
que desta feita não marcaram nem um! A final era pois realidade, mas para
deitar as mãos no caneco era preciso superar um duro teste chamado Roller
Monza, o perigoso campeão italiano que nos quartos-de final havia deixado pelo
caminho os gigantes galegos do Liceo da Corunha.
Ditou o sorteio que o primeiro jogo da decisão seria jogado
em Barcelos, cujo pavilhão foi pequeno demais para visionar uma partida emotiva
e equilibrada como se pode ver pela igualdade final de quatro golos. Cenário
idêntico seria vivido na segunda mão, em Itália, onde nenhuma das equipas
desarmou na luta pelo título, tendo-se atingido o fim do tempo regulamentar com
um empate a três golos. Surgiu então a necessidade de se jogar um
prolongamento, e ai apareceu em jogo artista de 17 anos, de seu nome Pedro
Alves, que com o passar dos anos viria a tornar-se numa lenda do hóquei
patinado lusitano. No prolongamento de Monza, Pedro Alves aproveita uma bola
perdida no meio campo adversário, dribla um, dois jogadores contrários e só com
o guarda-redes pela frente faz a diagonal e stica a bola para o fundo das
redes, desenhando assim o golo do título, o golo mais saboroso - por certo - da
história de um Óquei de Barcelos que na década seguinte iria vencer ainda dois
títulos de campeão nacional e outras tantas taças de Portugal. Para a
imortalidade ficava não só o nome de Pedro Alves mas também de Guilherme Silva
(guarda-redes), Paulo Alves, Vítor Silva, ou Domingos Carvalho.
Quanto a reinados portugueses na maior competição de clubes
da CERH seguiu-se uma longa travessia no deserto de 22 anos (!), mais de duas
décadas onde o hóquei espanhol voltou a ditar leis - domínio interrompido
apenas por um ano graças à vitória dos italianos do Follonica, em 2006 - de
nada valendo as constantes ameaças do FC Porto, que por seis ocasiões falhou o
assalto final - isto é, perdeu as finais - ao troféu mais desejado a nível
continental.
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Benfica faz a festa do título em casa do... eterno inimigo
FC Porto! |
BENFICA 2012/13: Em 1996/97 a CERH resolve reformular a sua
principal competição. E à semelhança do que acontecia com outras modalidades -
com o futebol à cabeça - resolve criar uma Liga Europeia, uma competição que
agrega em si as melhores equipas continentais, sejam elas campeãs, ou não, dos
seus respetivos países. E tal como futebol a maior prova de hóquei patins europeu
passou a ter 3 e 4 equipas oriundas de Portugal, Espanha, e Itália, no fundo as
grandes potências mundiais da modalidade, angariando desta forma níveis
elevados de competitividade e espetáculo. Foram pois diversas as alterações
introduzidas pela CERS ao figurino da prova. Entre outras, foram abolidas as
eliminatórias, sendo que numa primeira etapa as equipas disputavam uma fase de
grupos, cujos primeiros classificados avançariam para uma final four a realizar
numa única cidade. Em 2012/13 a cidade do Porto foi escolhida pela CERS para
acolher a final four da atual Liga Europeia, e muitos pensavam que esta era uma
excelente oportunidade para o FC Porto alcançar o tão perseguido tri, não só
porque atuava diante do seu público mas porque a antiga lenda do clube Tó Neves
- agora no papel de treinador - havia montado uma equipa do outro Mundo, onde
pontificavam lendas como Reinaldo Ventura, Edo Bosch, Ricardo Barreiros, Caio
Oliveira, ou a jovem promessa Hélder Nunes. Perante tal cenário nem o mais
pessimista dos portistas poderia imaginar que o maior rival do clube, neste
caso o Benfica, poderia estragar a festa, mas o que é certo... é que estragou
mesmo. Na quase cinquentenária história da competição apenas por uma mão cheia
de ocasiões os benfiquistas haviam chegado à final, sendo que em termos de
currículo europeu os lisboetas não tinham até então nas suas vitrinas mais do
que um par de taças CERS.
Treinado por Luís Sénica o Benfica seria colocado no Grupo C
na primeira fase da prova, juntamente com os espanhóis do Réus, dos italianos
do Viareggio, e dos alemães do Cronenberg. Sem grandes dificuldades o emblema
luso venceu a chave, com um total de 13 pontos, consequentes de quatro
vitórias, um empate, e apenas uma derrota (em casa do Réus).
Nos quartos-de-final o Benfica voltaria a Espanha, desta
feita para defrontar o Noia, tendo ali empatado a três golos o encontro da
primeira mão. Em Lisboa um autêntico vendaval - de golos - varreu com o clube
espanhol da Liga Europeia. 7-0 foi o resultado que colocou os benfiquistas na
final four do Dragão Caixa (recinto do FC Porto). Quis o destino que nas
meias-finais da citada final four o Benfica enfrentasse o colosso Barcelona,
que a par do FC Porto chamava a si o favoritismo para vencer a prova. Ao fim
dos 50 minutos, o jogo terminou empatado a quatro bolas e assim se manteve no
prolongamento.
Na lotaria das grandes penalidades o Benfica marcou por duas
vezes, por intermédio de Abalos e de Marc Coy, enquanto o Barcelona só marcou
um, por Josep Ordeig, garantindo assim a festa encarnada.
Na grande final - realizada no dia seguinte - Benfica e FC
Porto mediaram forças num ambiente fantástico... pintado em tons de
azul-e-branco. Nada mais natural, já que os portistas jogavam em casa. Final
essa que esteve para não se realizar, uma vez que os benfiquistas se queixavam
de falta de segurança e dos poucos bilhetes disponibilizados aos seus adeptos,
ameaçando por isso boicotar o jogo! Através do diálogo - pacífico - o boicote
foi eclipsado e o Benfica entrou mesmo em rinque para escrever a página mais
brilhante da história do seu hóquei. Um golo de ouro de Diogo Rafael, ainda na
primeira parte do prolongamento (no final do tempo regulamentar o resultado era
de 5-5), acabou por entregar o título aos encarnados, naquela que foi também a
primeira final da Liga Europeia entre equipas portuguesas. Com o triunfo de 6-5
o Benfica conquistava assim a quinta TCE/Liga Europeia para Portugal, e para a
história ficavam nomes como Marc Coy, Carlos Lopez, Diogo Rafael, ou Luís
Viana, os novos heróis do hóquei lusitano.
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Benfica sagrou-se bi-campeão europeu em casa |
BENFICA 15/16: Três anos depois de ter silenciado o Dragão
Caixa (no Porto) ao arrecadar diante da equipa da casa o troféu mais importante
do hóquei patinado continental, eis que o Benfica repete o feito, agora em
casa, ante do seu público, e à custa dos conterrâneos da Oliveirense, equipas
que a par dos encarnados discutiu a final four da prova junto com o Barcelona e
o Forte dei Marmi. Para voltar a colocar as mãos na taça os benfiquistas
efetuaram uma caminhada imaculada, onde apenas por uma ocasião foram
derrotados, facto ocorrido ainda na fase de grupos desta edição da Liga
Europeia, em casa do Vic (7-6). Tirando esta mancha no currículo, o Benfica
contabilizou por vitórias todos os restantes jogos disputados no Grupo B, que
integrava ainda o Bassano Hockey (Itália) e o Mérignac (França). Nos
quartos-de-final os pupilos de Pedro Nunes mediram forças com os espanhóis do
Vendrell, sendo que na primeira mão os portugueses confirmaram o seu
favoritismo ao vencer por 5-3, com golos de Jordi Adroher, Carlos Nicolia (2),
Marc Torra e João Rodrigues. Na volta, em Lisboa, os lusos atuaram mais
descontraídos, e talvez por isso não tenham ido além de um empate a cinco
golos, onde Marc Torra se destacou ao marcar três golos. Ainda assim o
resultado era mais do que suficiente para o Benfica atingir mais uma final four
da sua história. Fase decisiva que teve então lugar na capital do nosso país,
na casa dos benfiquistas mais concretamente, que desta forma garantiam um
importante reforço extra (os seus adeptos) para tentar alcançar o segundo
título de campeão europeu. E assim foi. Na meia final, ante o poderoso
Barcelona (o clube mais titulado na Europa do hóquei patinado) os encarnados
tiveram a sorte do seu lado, atendendo ao facto que levaram a melhor na lotaria
das grandes penalidades. O jogo, muito bem disputado, chegou ao seu final
empatado a um golo (pelo Benfica marcou o inevitável Marc Torra), pelo que
houve necessidade de um prolongamento - que nada resolveu - e de uma sessão de
grandes penalidades. Aqui, o guarda-redes encarnado foi o herói, ao defender
quatro dos cinco penaltis que o Barça dispôs. Do outro lado, o Benfica
converteu duas grandes penalidades, selando o resultado final em 3-2 a seu
favor, abrindo assim a porta da final, a qual iria ser 100 por cento
portuguesa, já que no outro encontro a Oliveirense venceu o Forte dei Marmi
também por 3-2. E diante de um repleto pavilhão na sua esmagadora maioria afeto
aos lisboeta, o Benfica embalou para uma grande exibição, culminada com um
histórico triunfo por 5-3, com golos Diogo Rafael (2), Carlos Nicolia (2) e
Jordi Adroher, igualando assim o FC Porto enquanto equipa portuguesa com mais
conquistas na prova rainha da CERH. Nota: texto atualizado em 16 de maio de
2016.
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42 anos depois o leão voltou a rugir mais alto na Europa do hóquei em patins |
*SPORTING
2018/19: Cerca de quatro décadas depois os Leões de Alvalade voltavam a rugir
mais alto na principal prova do hóquei patinado continental. Tal como em 76/77
o Sporting era detentor de uma grande equipa e tal começou a comprovar-se ainda
na fase de grupos da Liga Europeia que os leões venceram com margem folgada
sobre os italianos do Forte dei Marmi, os espanhóis do Liceo e os alemães do
Germania Herringen. Em seis jogos o Sporting venceu cinco e só empatou um - no
rinque do Forte dei Marmi - e somou 16 pontos no Grupo B. Nomes como Ângelo
Girão, Caio, Matías Platero, Toni Pérez, Gonzalo Romero, Henrique Magalhães,
Ferran Font, ou Pedro Gil empolgaram os entusiastas do hóquei, não só os
adeptos afetos aos verde-e-brancos como todos aqueles que gostam da modalidade.
Na fase a eliminar, isto é, nos quartos-de-final, o Sporting teve pela frente
outra equipa transalpina, no caso o Amatori Lodi, que na 1.ª mão foi cilindrado
no novo e moderno Pavilhão João Rocha - casa dos leões - por 8-2, com golos de
Ferran Font (2), Henrique Magalhães (2), Gonzalo Romero, Pedro Gil, Toni Pérez
e Raul Marín. Na volta, em Lodi, nova vitória por 5-2 confirmou a supremacia
leonina, graças a sticadas certeiras de Ferran Font (2) e Raul Marín (3). O
Sporting estava assim na final four da Liga Europeia e mais do que isso as suas
exibições anteviam que o emblema lisboeta era um sério candidato a trazer de
volta para Portugal o troféu mais cobiçado do hóquei em patins europeu no que a
clubes diz respeito. E mais candidato ficou quando o palco escolhido para a
final four foi o ultra moderno Pavilhão João Rocha, que além da equipa da casa
recebia ainda para a fase decisiva da prova o FC Porto, o Benfica e o todo
poderoso Barcelona, quiçá o principal favorito a vencer o título. Para a meia
final estava destinado um dérbi eterno, isto e, um Sporting - Benfica. Com o
João Rocha completamente lotado as duas equipas proporcionaram um empolgante
jogo. Depois de um início de jogo equilibrado, o espanhol Pedro Gil aproveitou
uma transição para inaugurar o marcador num remate de meia distância aos 8
minutos. O Benfica respondeu ao tento leonino com a velocidade da dupla
diabólica composta pelos argentinos Nicolia e Ordoñez, que no entanto iam tendo
pela frente um inspirado Ângelo Girão na baliza leonina. E como quem
habitualmente não marca sobre, após uma excelente combinação com Romero, Matías
Platero aumentou aos 16 minutos a vantagem do Sporting no marcador. Logo na
resposta Diogo Rafael conseguiu reduzir na sequência de uma distração da defesa
da casa, mas logo de seguida o Sporting corrigiu esta desatenção com o 3-1,
outra vez da autoria de Platero, com assistência de Pedro Gil. No segundo tempo
o Sporting soube gerir a vantagem, embora o encontro tenha tido oportunidades
para os dois lados. Os últimos 10 minutos foram de emoções ao rubro. O
internacional português Henrique Magalhães ampliou a vantagem dos leões após um
jogada de individual só ao alcance dos grandes génios do hóquei, um golo que de
certa forma adormeceu os pupilos de Paulo Freitas, que permitiram de seguida
que o Benfica tivesse seis minutos demolidores e empatasse a partida a quatro
golos. O jogo estava partido, entrou num ritmo frenético, para delírio dos
quase 3000 espectadores presentes, e só uma jogada de génio poderia desempatar
o clássico. Assim foi. A dois minutos do final Romero disferiu um poderoso
remate do meio da rua para levar a bola ao fundo das redes de Pedro Henriques e
carimbar o passaporte leonino para a final, onde iria defrontar no dia seguinte
(12 de maio) o FC Porto, que na outra meia final havia superado o Barcelona nas
grandes penalidades. E pela terceira vez na História a Liga Europeia
(anteriormente denominada de Taça dos Campeões Europeus) iria ter uma final
100% portuguesa e mais do que isso iria marcar o fim do longo jejum leonino na
prova rainha do hóquei continental após a mítica vitória do 5 Maravilha dos
leões em 1977. Após um início de jogo com muitos cuidados defensivos de parte a
parte, foi na sequência de um lance de génio de Toni Pérez que o marcador foi
inaugurado no Pavilhão João Rocha. A vantagem durou menos de dois minutos, pois
uma meia distância de Reinaldo Garcia não deu hipóteses a Girão. Porém, minutos
depois, um período menos conseguido por parte dos portistas seria aproveitado
pelos sportinguistas para se colocarem na frente. Um ataque rápido conduzido
por Ferran Font permitiu a Vítor Hugo colocar os leões em vantagem aos 8
minutos. No minuto seguinte Raul Marín ainda falhou uma grande penalidade para
o Sporting, mas tal não afetou o combinado de Paulo Freitas, que logo de
seguida na sequência de um livre direto ampliaram para 3-1 por intermédio de
Font. Havia mais Sporting na pista por esta altura e não foi de estranhar que
ainda antes do intervalo Romero fizesse o 4-1. No reatamento o FC Porto subiu
as suas linhas defensivas e arriscou tudo para reentrar na partida e a 10
minutos do fim Gonçalo Alves encurtou a desvantagem e relançou a contenda. Após
algumas intervenções decisivas dos dois guarda-redes eis que Ferran Font num
remate cruzado de meia distância faz o 5-2 final que deu o título europeu ao
Sporting 42 anos depois.Nota:
Texto atualizado em maio de 2019
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No Luso o Sporting fez o que nenhuma outra equipa portuguesa conseguiu: sagrar-se bi-campeã da Europa de forma consecutiva! |
*SPORTING
2020/21: Depois de na época anterior as competições europeias de hóquei em
patins terem sido canceladas por força da Covid-19 que assolou o Mundo, eis que
em 2020/21 a CERS teve de proceder a algumas modificações no calendário europeu
ao nível de clubes precisamente por força da pandemia. E uma dessas alterações
prendeu-se com a concentração da fase de grupo da Liga Europeia num só local,
tendo para o efeito sido escolhida a localidade do Luso, em Portugal. Nove
equipas (oriundas de Portugal e Espanha) foram dividas em três grupos de três,
sendo que no final assistiu-se a um domínio total das equipas portuguesas em
contraste com o descalabro total dos conjuntos espanhóis. Contas feitas,
apuraram-se para a final four os três primeiros classificados dos três grupos,
nomeadamente o FC Porto, a Oliveirense e o Benfica, aos quais se juntou o
segundo melhor classificado da fase de grupo, nada mais nada menos do que o
campeão europeu em título, o Sporting. Foi pois uma final four exclusivamente portuguesa,
algo inédito no âmbito da prova rainha do hóquei continental, tendo a CERS mais
uma vez escolhido o Luso para ser palco da fase decisiva da competição, algo
que aconteceu no fim-de-semana de 15 e 16 de maio. O FC Porto foi o primeiro
finalista da Liga Europeia, ao vencer a Oliveirense por 6-4. A equipa de
Oliveira de Azeméis entrou muito bem no encontro e esteve mesmo a vencer por
4-0, mas ao intervalo a diferença já era de um golo. A reação portista teve
continuidade na segunda parte, com a equipa orientada por Guillem Cabestany a
fechar com um triunfo por 6-4. Na outra
meia final o Sporting venceu o Benfica nas grandes penalidades após um empate a
cinco bolas no final do prolongamento. Carlos Nicolía e Lucas Ordoñez (2)
marcaram os golos das águias no tempo regulamentar, vantagem anulada pelo
Sporting através de Matías Platero, Ferran Font e Toni Pérez. No prolongamento,
os leões estiveram em vantagem por duas vezes, golos de Matías Platero e Ferran
Font, mas o Benfica logrou a igualdade nas duas ocasiões, mercê das
finalizações de Sergi Aragonès e Carlos Nicolía. Nos penáltis, Alessandro
Verona marcou por duas vezes, enquanto Carlos Nicolía foi único das águias
capaz de bater Ângelo Girão, ainda na primeira série de 5. Já na ‘morte
súbita’, o mesmo Nicolía desperdiçou e permitiu o apuramento do Sporting para a
final.O jogo
decisivo da prova foi uma reedição da final de 2018/19, sendo que o desfecho
acabaria por ser o mesmo, isto é, o Sporting voltou a coroar-se como rei da
Europa do hóquei. A equipa leonina venceu o FC Porto por 4-3, após
prolongamento, defendendo assim com sucesso o título de campeão europeu de
hóquei em patins, graças aos golos de Toni Pérez e Gonzalo Romero no
prolongamento. Nesta final os dragões até começaram a partida melhor e já
venciam por 2-0 aos cinco minutos, com golos de Rafa e Gonçalo Alves na
conversão de um livre direto. Mas Ezequiel Mena marcou na própria baliza (14) e
Toni Pérez (38), já no segundo tempo, levaram o encontro para prolongamento.
Pérez voltou a marcar e operou a reviravolta no marcador, aos 53 minutos,
dilatada no mesmo minuto por Gonzalo Romero, através de livre direto, enquanto
Gonçalo Alves ainda reduziu de grande penalidade, aos 58", mas não foi
suficiente para travar o triunfo sportinguista. Até ao final da partida, Girão
segurou a vantagem mínima e o troféu continua assim na posse dos leões, que se
tornaram na primeira equipa portuguesa a vencer a competição de forma
consecutiva, e o emblema português que mais vezes ergueu o troféu. Já o FC
Porto perdeu a terceira final consecutiva de uma competição que não vence há 21
anos. *Nota:
texto atualizado em maio de 2021 |
33 anos depois FC Porto voltava a ser rei da Europa |
*FC PORTO 2022/23: Após
11 finais perdidas (!) e 33 anos de espera (!!), eis que em 22/23 o FC Porto
voltava a sagrar-se campeão da Europa. Um título (o terceiro dos dragões na
prova rainha da CERS) celebrado no alto Minho, mais concretamente em Viana do
Castelo, cidade que no início de maio de 2023 acolheu a Final 8 da Liga dos
Campeões. E para chegar à fase decisiva da prova o FC Porto, liderado
tecnicamente pelo espanhol Ricardo Ares, classificou-se em segundo lugar do
Grupo B na fase de grupos, superado apenas pelo campeão da Europa em título, os
italianos do Trissino. Na fase de grupos os portistas somaram três vitórias
(5-0 na receção aos italianos do Sarzana, 7-3 no jogo de volta no reduto do
Sarzana, e 5-1 na receção aos catalães do Noia), dois empates (3-3 na receção
ao Trissino, e 0-0 na deslocação ao rinque do Noia), e uma derrota (na
derradeira ronda da fase de grupos em casa do Trissino, por 6-2). E
na Final 8 o FC Porto começou por afastar, nos quartos-de-final, um dos seus
maiores rivais a nível interno, o Benfica, por 4-2. Os portistas tiveram uma
etapa final demolidora, já que nos sete minutos finais apontaram três golos
quase de rajada que lhes garantiu o passaporte para a ronda seguinte. Os
dragões marcarem por Gonçalo Alves, aos minutos 3 e 47 minutos, por Carlo di
Benedetto, aos 44 minutos, e por Rafa, aos 50 minutos, ao passo que para os
encarnados marcaram Lucas Ordóñez, aos 9 minutos, e Nil Roca, aos 48. No cômputo
geral o Porto foi mais eficaz num jogo que começou com ataques de um lado e
reações imediatas do outro. Seguiu-se
na meia-final quiçá o principal candidato a levar a taça para casa, o
Barcelona. No Pavilhão José Natário os azuis-e-brancos contrariam a teoria e
venceram por 4-3, mas não ganharam para o susto. Isto porque perto do fim
dispunham de uma vantagem de três golos (4-1), mas em apenas dois minutos os
portugueses do Barça, Hélder Nunes e João Rodrigues, devolveram a incerteza -
quanto ao vencedor - ao jogo. Mas com garra e muito sofrimento o FC Porto
garantiu mais uma vez a presença na final. Quanto à marcha do marcador deste
encontro, Rafa inaugurou a contagem para o FC Porto logo aos 5 minutos, sendo
que aos 12 Pau Bargallo repôs a igualdade para os catalães após passe do então ex-portista
Hélder Nunes. Na segunda parte o FC Porto beneficiou de um de dois livres
diretos convertidos por Gonçalo Alves para voltar a liderar o marcador. Depois,
Xavi Barroso e Ezequiel Mena ampliaram a vantagem, dos portugueses, que viram
depois, como já foi dito, Hélder Nunes e Pau Bargalló reduzir para o combinado
orientado por Eduard Castro. E
na grande final o Porto defrontou o vizinho e eterno rival Valongo, que pelo
segundo ano consecutivo chegava à final da principal competição europeia da
modalidade. E em Viana do Castelo os dragões quebraram o longo jejum de
títulos, vencendo por 5-1. Para o FC Porto marcaram Rafa (8 minutos), Carlo di
Benedetto (18 e 30 minutos), Gonçalo Alves (21 minutos, de livre direto) e Xavi
Barroso (49 minutos), enquanto Miguel Moura (13 minutos) fez o tento dos
valonguenses. Para a história do FC Porto ficavam os nomes de Xavi Malián, Telmo
Pinto, Rafa, Carlo Di Benedetto, Gonçalo Alves, Tiago Rodrigues, Xavi Barroso, Reinaldo
García, Diogo Barata, e Ezequiel Mena, os grandes obreiros do terceiro título
de campeão europeu do emblema da Cidade Invicta.
*Nota: texto atualizado em maio de 2023
Taça das Taças: Portugal rei e senhor
Cerca de 10 anos depois de ter criado a TCE a CERH lança a
Taça dos Vencedores das Taças, prova que à semelhança do futebol era destinada
aos clubes que na época anterior tivessem vencido as taças dos respetivos
países. E se na principal competição do organismo que tutela o hóquei em patins
europeu o domínio é amplamente espanhol, na Taça das Taças os clubes
portugueses ditam leis, ou melhor, ditaram leis, isto porque esta prova teve
vida curta, não indo além de 20 edições.
Duas dezenas de edições onde metade foi conquistada por
emblemas lusos, sendo que o Oeiras e o Sporting são os mais vitoriosos, com
três triunfos cada na sua conta pessoal. FC Porto (por duas ocasiões),
Sanjoanense, e Óquei de Barcelos (com um título conquistado cada um deles) são
os nomes dos restantes cavaleiros portugueses que inscreveram o seu nome na
lista de campeões.
As primeiras três edições do novo certame da CERH foram por
inteiro dominadas por um pequeno emblema que no seu historial jamais venceu um
campeonato nacional ou sequer uma Taça de Portugal!!!!
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Equipa do Oeiras que inaugurou a lista de campeões
da Taça das Taças
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OEIRAS 1976/77: Seria na qualidade de finalista vencido da
Taça de Portugal da temporada de 1975/76 que a modesta Associação Desportiva de
Oeiras foi o representante de Portugal na primeira edição da Taça das Taças
(TdT). Estaria porém longe de imaginar esta pequena coletividade dos arredores
de Lisboa que este seria o primeiro passo de uma trajetória histórica de três
anos consecutivos. Já lá vamos. Em 1976/77 arranca então a TdT, sendo que em
sorte calhou à equipa portuguesa na primeira eliminatória da nova competição os
franceses do Gujan. Na primeira mão, realizada em solo português vitória
lusitana por claros 18-5, margem mais do que confortável para na segunda mão
efetuar um passeio até França, onde seria conquistada uma nova vitória, desta
feita por 6-3. Seguiram-se as meias-finais, com o grau de dificuldade a
aumentar, e onde apenas a sorte determinou a passagem do Oeiras à final.
Passamos a explicar. Os italianos do Novara foram o adversário dos lusos nesta
fase, sendo que a primeira mão deste confronto foi realizada em Portugal, a
qual seria traduzida numa curta vitória do Oeiras por 5-4. Em Itália mandou a
equipa da casa, a qual vencia o jogo no final do tempo regulamentar por igual
resultado, ou seja 5-4. Assim sendo, houve a necessidade de se jogar um
prolongamento onde nada se alterou, recorrendo-se posteriormente para o
desempate através de grandes penalidades. Teimosamente o empate manteve-se, com
ambas as equipas a não irem além de um 3-3 final no tiro ao boneco. Os árbitros
não tiveram então outro remédio senão atirar a moeda ao ar (!) para apurar o
vencedor da eliminatória, e eis que a sorte escolheu o Oeiras, que assim
atingia a final. Patamar este onde iria medir forças com os espanhóis do Arenys
de Munt, com o cenário da meia final a repetir-se. Ou seja, uma vitória (4-2) e
uma derrota por igual resultado obrigaram a que no jogo da segunda mão, ocorrido
em Portugal, se recorresse à marcação de grandes penalidades para se encontrar
o campeão. A única diferença em reação ao confronto com o Novara foi que desta
feita não foi preciso recorrer à moeda ao ar, já que o Oeiras foi mais eficaz
nos penaltis ao vencer por 3-2 e assim coroar-se como o primeiro campeão da
TdT.
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A equipa do Oeiras que esmagou o poderoso Voltregá
na primeira mão da final da TdT, e que assim garantia
(praticamente)
a continuidade do troféu em solo português
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OEIRAS 1977/78: Como campeão da TdT em título o Oeiras
ganhou por direito próprio um bilhete para a segunda edição do certame. Iniciou
esta nova caminhada - até à glória - no rinque dos belgas do Rolta com uma
vitória por 4-2. A história do jogo de volta resume-se aos golos, aos muitos
golos com que os lusitanos despacharam os amadores belgas: 12-3. E na
meia-final o Oeiras fez um novo brilharete, não só porque eliminou um dos
candidatos ao trono da TdT, os italianos do Follonica, mas sobretudo porque o
fez com estilo... e estrondo. Depois de uma derrota por 1-3 na primeira mão, em
solo transalpino, o Oeiras cilindrou no seu reduto os italianos por 12-1 no
encontro de volta, garantindo desta forma uma nova e sensacional presença na
final. Na partida mais desejada novo reencontro com os vizinhos espanhóis,
desta feita com o Voltregà, poderoso conjunto que no seu currículo tinha três
Taças dos Campeões Europeus! Mas mais uma vez o pequeno Oeiras foi gigante, e
na primeira mão, em casa, colocou uma mão na TdT, ao vencer por 3-2 seu oponente.
O encontro da segunda mão foi uma batalha, tendo os portugueses resistido
heroicamente aos constantes ataques dos castelhanos à sua baliza. 3-3 foi o
resultado final, um empate que soube a vitória, o suficiente para que a taça
continuasse a morar nas vitrinas do popular Oeiras.
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Oeiras, tri-campeão da TdT, nunca mais nenhuma outra
equipa lusa conseguiu vencer em três anos
consecutivos uma competição europeia!
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OEIRAS 1978/79: Fazendo jus ao velho ditado de que "não
há duas sem três" o Oeiras partiu para a sua terceira aventura europeia na
TdT com os olhos postos na reconquista do troféu. Porém, não teve vida fácil em
comparação com as duas primeiras edições. Isto porque pelo caminho teve de se
desviar de adversários bem complicados... Logo na primeira eliminatória quis o
destino que pela primeira vez na história da jovem competição da CERH duas
equipas portugueses medissem forças. Oeiras e Benfica (que participava na prova
na qualidade de vencedor da Taça de Portugal da época anterior), discutiram um lugar
na meia-final no desenrolar de uma eliminatória equilibrada como atesta a curta
vitória do Oeiras no conjunto das duas mãos (7-6). Na antecâmara da final, isto
é, a meia-final, novo confronto com uma squadra italiana, desta feita o Lodi,
que na primeira mão empatou em casa a cinco golos com o combinado português. No
encontro de volta o Oeiras puxou dos galões de grande equipa que era e bateu os
italianos por 4-1, alcançando assim pela - impensável - terceira vez
consecutiva a final. Ali, esperava o conjunto português um velho conhecido
nestas andanças, o Voltregà, desejoso de vingar a final perdida na temporada
anterior. Mas tal não se passou, já que a reconquista da TdT ficou praticamente
selada em Oeiras no encontro da primeira mão, o qual seria vencido pelos lusos
por concludentes 10-1. A viagem a Espanha foi pois encarada com descontração,
como facilmente comprova a derrota por 3-6, um desaire que deu aso a uma
explosão de alegria na comitiva portuguesa, que assim pela terceira vez
consecutiva vencia o troféu.
Este tri-vitória na TdT assumiu contornos de imortalidade na
história do hóquei luso, pois até hoje mais nenhuma equipa do nosso país
conseguiu vencer por três edições consecutivas um troféu continental.
No patamar da imortalidade ficam pois os nomes de Salema,
Carvalho, José Pereira, Carlos Alves, Vítor Rosado, Cristóvão, ou José Rosado,
os craques que deram vida ao mágico Oeiras dos finais dos anos 70.
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Equipa do Sporting que conquistou a primeira
das TdT da histório da clube
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SPORTING 1980/81: Após um interregno de um ano eis que o
hóquei português voltava em 1981 a patinar no lugar mais alto do pódio da TdT.
Fê-lo através do primeiro emblema luso a triunfar numa prova europeia, o
Sporting Clube de Portugal, cujo plantel de 80/81 se viu reforçado com alguns
dos heróis que conduziram o modesto Oeiras a três títulos consecutivos na
segunda prova da CERH, nomeadamente Salema, Carvalho, e Vítor Rosado. Nomes que
se juntavam a lendas leoninas como Chana, e João Sobrinho, que neste início dos
anos 80 se viam privados da companhia do astro António Livramento, que
entretanto havia colocado um ponto final na sua brilhante carreira e assumia
agora o papel de treinador dos leões. Com um grupo renovado em relação ao
brilharete alcançado na Taça dos Campeões Europeus de 77 o Sporting iniciou a
campanha na TdT de 81 com uma goleada aos franceses do Fresnoy, que na primeira
mão saíram da Nave de Alvalade vergados a uma pesada derrota de 26-1. Na
segunda mão, e apenas para cumprir calendário, o Sporting foi a terras gaulesas
confirmar a sua abismal superioridade com novo triunfo, desta feita por 10-4.
Nas meias-finais a fasquia da dificuldade subiu
ligeiramente, muito por culpa de uns combativos alemães, que davam pelo nome de
Herten. No primeiro jogo os pupilos de Livramento venceram em Alvalade por 5-3,
carimbando o passaporte para a grande final na Alemanha graças a um novo
triunfo, desta feita por 6-1. No encontro mais aguardado da prova surgiu o
primeiro grande teste, chamado Cibeles, forte combinado espanhol oriundo de
Oviedo, localidade onde os portugueses no jogo da primeira mão perderam por
4-1. Uma derrota que se poderá - ou não - explicar no facto de o pensamento dos
leões estar em Gonzaga da Silva, o dirigente leonino responsável pelo hóquei em
patins que havia sido internado de urgência na sequência de uma pneumonia. Para
a segunda mão pedia-se concentração, calma, e muita garra para dar a volta à
situação, e foi o que aconteceu. Com o Pavilhão de Alvalade para lá de cheio -
estavam 7000 pessoas num pavilhão que tinha capacidade para 5000 - o Sporting
não começou nada bem um encontro onde precisava de vencer por mais de três
golos para ficar com a taça, sendo que a meio do primeiro tempo perdiam por
1-2. Empurrados pelo seu público os leões afiaram as garras e ao intervalo
venciam por 4-2. Não chegava, eram precisos mais golos. No segundo tempo o
Cibeles fechou-se no seu quadrado, abdicando quase por completo do ataque,
dificultando assim a vida a um Sporting que viu-se e desejou-se para acertar
com a baliza. Fá-lo-ia apenas por uma ocasião, por intermédio da sua estrela,
Chana, que na primeira parte tinha feito dois golos, igualando desta feita a
eliminatória a seis golos. Seguiu-se um prolongamento, onde apareceu de novo a
magia de Chana, que eclipsou por completo um conjunto espanhol apostado em
chegar ao desempate por grandes penalidades. Chana faria o 6-2, e seria ainda o
autor do passe para Salema fazer o 7-2 final, resultado que permitiria ao
Sporting vencer a primeira das suas três TdT, o primeiro título de Livramento
enquanto treinador, um título que fez explodir de alegria
Alvalade nessa mítica
noite de 27 de junho de 1981.
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Ilídio Pinto (que na imagem é o segundo elemento da fila de
cima
a contar da direita para a esquerda) conquista em 1982 o
primeiro dos seus
52 títulos (nacionais e internacionais) com o FC Porto!
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FC PORTO 1981/82: Conhecido entre os portistas como o senhor
hóquei patins, Ilídio Pinto é o grande responsável pelo facto do emblema
nortenho ser hoje um dos maiores símbolos do hóquei nacional e internacional.
Pegou na secção de hóquei portista em 1973, e desenvolveu um trabalho notável,
expresso - até aos dias de hoje - em mais de meia centena de títulos nacionais
e internacionais. A primeira grande conquista aconteceu em 1982, precisamente a
TdT, o primeiro título conquistado, na verdade, pelo hóquei portista, que até
então nunca havia vencido qualquer competição, nacional ou internacional.
Comandados pelo treinador Vladimiro Brandão os azuis-e-brancos começaram por
ultrapassar com alguma facilidade os finalistas da temporada anterior, o
Cibeles, de Espanha, com duas vitórias, uma por 9-3, e outra por 5-1. Na
meia-final surgiram os alemães do Cronenberg, equipa chata, que sem arte nem
engenho para jogar (bom) hóquei lá conseguiu bater os portistas por 2-1 na
primeira mão. Tudo, porém, não passou de um susto, já que na segunda mão o
Porto esmagou o seu opositor por claros 14-2, alcançando assim a final. Ai,
encontrou o vencedor da temporada transata, o Sporting, grande favorito a
revalidar o título. Mas do outro lado estava uma equipa composta por hoquistas
de grande craveira, como Cristiano Pereira, Alves, ou os jovens Vítor Hugo, e
Vítor Bruno. A primeira mão realizou-se na Cidade Invicta, e com o Pavilhão Dr.
Américo de Sá cheio como um ovo, o FC Porto contrariou a teoria e goleou os
sportinguistas por 13-4, sentenciando praticamente a final. Uma semana depois
viajou até Lisboa, aliás, foi passear até à capital, pois com a folgada margem
que levava na bagagem o encontro da segunda mão não mais foi do que um
cumprimento de calendário, tendo esse encontro terminado com uma vitória (de
honra) dos leões por 8-7. A norte soltaram-se foguetes, pela obtenção da
primeira de muitas vitórias por parte dos azuis-e-brancos.
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FC Porto: bi-campeão da Taça das Taças |
FC PORTO 1982/83: Na qualidade de titular do troféu o FC
Porto partiu para a sua segunda aventura na competição da CERH. Na primeira
ronda os portistas afastaram os suíços do Vevey, por 14-4 no conjunto das duas
mãos. O primeiro grande obstáculo surgiu nas meias-finais, onde pela frente
Cristiano e companhia tiveram o Liceo da Corunha, poderoso combinado galego que
na primeira mão venceu por 5-4. Triunfo magro que seria anulado pelos
discípulos de Ilídio Pinto no jogo de volta, conforme atesta o triunfo por 6-2.
Quis o destino que na final os portistas voltassem a enfrentar uma equipa
portuguesa, desta feita o Benfica. Foi na verdade um grande e emotivo duelo,
apenas decidido na lotaria das grandes penalidades. Na primeira mão, no Porto,
empate a duas bolas, sendo que na Luz aconteceu uma nova igualdade, desta feita
a cinco golos. Neste segundo encontro - transmitido em direto pela RTP 2, coisa
rara naquele tempo - o Benfica chegou a estar a vencer por 4-1 a meio da
segunda parte, resultado que levou os seus adeptos à loucura, pensando estes
que finalmente o clube iria conquistar a sua primeira coroa de glória
internacional. Puro engano. Vítor Bruno, Vítor Hugo, Fanã, e Alves carregaram o
FC Porto para um sprint final avassalador, chegando ao términus do tempo
regulamentar empatados a cinco golos. No prolongamento foi o Benfica que esteve
mais perto de voltar a marcar, fruto da sua clara aposta ofensiva, ao passo que
os portistas tentavam surpreender no contra-ataque. Nada se alterou, e vieram
as grandes penalidades, tendo aqui a sorte bafejado os nortenhos, que além de
continuarem na posse do troféu levaram o Pavilhão da Luz às lágrimas.
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A equipa do Sporting que em 1985 trouxe mais uma TdT para o seu museu |
SPORTING 1984/85: Depois dos espanhóis do Réus terem
interrompido em 1983/84 o reinado lusitano na TdT, eis que na temporada
seguinte o troféu volta para terras lusas por intermédio de um velho conhecido:
o Sporting. A caminhada para a reconquista da prova começou de forma fácil, já
que os franceses do La Roche nada conseguiram fazer para evitar uma goleada -
no total das duas mãos - de 40-9! Treinados por Luíz Barata, o Sporting
apresentava-se nesta nova caminhada europeia com muitas novidades em relação às
recentes conquistas internacionais, com um grupo onde pontificavam agora nomes
como Pedro Trindade, Campelo, Sérgio Nunes, ou Camané. Na meia-final apareceu o
Liceo da Corunha, que perseguia desenfriadamente a sua primeira TdT. Sabendo
disso, o Sporting acautelou-se, e na primeira mão, com uma grande exibição,
segurou a avalanche galega, alcançando um triunfo por 8-5. Foi pois com três
golos de vantagem que os leões viajaram até à Galiza, onde uma exibição serena
bastou para controlar as fores investidas do Liceo, que não conseguiu mais do
que um triunfo por 4-3, insuficiente para que o Sporting passasse à final. E na
grande final os portugueses encontraram o conjunto surpresa desta edição da
TdT, os alemães do Waslum, que na outra meia-final havia afastado os detentores
do troféu, o Réus. Na primeira mão da final os leões viajaram até à Alemanha,
testemunhando o porquê de o Réus ter caído aos pés dos desconhecidos alemães.
1-1, resultado final, que deixava tudo em aberto para o Pavilhão de Alvalade.
Repleto de entusiastas do hóquei - e claro, do Sporting - este pavilhão foi
palco de um grande jogo, onde o Walsum vendeu muito cara uma derrota por 8-4,
valendo a soberba atuação do guarda-redes leonino Ramalhete, que impediu por
diversas ocasiões que os germânicos silenciassem Alvalade.
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Uma equipa histórica: Sanjoanense, o surpreendente
vencedor da Taça das Taças de 1986
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SANJOANENSE 1985/86: A par do Oeiras foi quiçá a grande
surpresa da história da TdT. Falamos da Associação Desportiva Sanjoanense,
equipa modesta do cenário do hóquei patinado luso que em 86 escreveu a página
mais bela da sua história ao vencer contra todas as espectativas a segunda
competição da CERH. A inesquecível caminhada rumo à glória começou com uma
vitória sobre os alemães do Iserlohn, 11-5 em casa e 6-5 na Alemanha. Nas
meias-finais os alvinegros esmagaram a equipa suíça do Genéve nos dois jogos
realizados (17-1 e 14-9) e garantiram a sua presença na final da competição,
juntamente com o Sporting.
No jogo da primeira mão, em Alvalade, a Sanjoanense não
conseguiu mais do que um empate a três golos. Já em casa e depois de ter estado
a perder por 5-0, os alvinegros inverteram o resultado acabando por vencer por
9-6. Licínio Santos foi um dos homens do jogo ao apontar quatro dos nove golos
marcados. Orientada pelo técnico José Lisboa, a formação vencedora da TdT de
1986 alinhou no jogo final, frente ao Sporting, com o seguinte “cinco” inicial:
Reis; Gentil, Lima, Licínio e Zeca. Começaram no banco de suplentes Rui
Conceição, Miguel, Carlos Reis, Gil e Hélder. Nomes que hoje são autênticas lendas
na história da bela localidade de S. João da Madeira.
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A equipa do Sporting que conquistou
a sua última Taça das Taças
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SPORTING 1990/91: Seria com um grupo bem diferente do
lendário dream team edificado nos anos 70 que o leão iria rugir mais alto na cena
internacional por uma última vez. Facto ocorrido no início da década de 90,
quando figuras como João Pedro, Leste, Chambel, ou Zorro ajudariam a turma de
Alvalade a arrecadar a terceira TdT do seu rico historial. A derradeira viagem
rumo à glória europeia teve início na Holanda, onde os hoquistas comandados
pelo técnico José Carlos venceram o Den Haag por 6-4, num encontro equilibrado
e de hóquei de grande qualidade. Na segunda mão, em Lisboa, os leões provaram
que as distâncias entre Portugal e Holanda - no que a hóquei patins diz
respeito - ainda eram - e continuam a sê-lo - muito acentuadas, conforme
expressa a tranquila vitória dos portugueses por 7-2. Nas meias-finais surgiu
outro combinado que milita num patamar muito abaixo daquele em que está o hóquei
lusitano, mais precisamente o Gazinet, de França. Em solo português
desenrolou-se a primeira mão, num jogo onde os franceses apesar de terem dado
uma excelente réplica não conseguiram evitar uma derrota por 6-4 diante de um
Sporting a meio gás. Na semana seguinte os leões corrigiram esta postura branda
e golearam o Gazinet no seu terreno por 6-1, garantindo assim a sua quinta
final na TdT. Aqui o adversário seria de peso, e dava pelo nome de Novara,
forte conjunto transalpino. Tal como seria de prever os leões encontrarm sérias
dificuldades no encontro da primeira mão, ocorrido em Itália, desde logo o
fanático público afeto ao conjunto da casa. Sexto jogador que deu um forte
contributo para que o Novara chegasse ao intervalo a vencer por 6-4. Só um grande
Sporting poderia dar a volta à situação, e assim foi. Contra tudo e contra
todos os lisboetas patinaram para uma grande exibição, alcançando mais três
golos no segundo tempo, o que se traduziu num triunfo importante por 7-6. Mas
nada estava ainda ganho, faltava o segundo jogo na Nave de Alvalade. Repleto de
público, uma imagem usual nas grandes noites europeias de hóquei, o pavilhão
leonino viu o Sporting assumir as rédeas do encontro, ao passo que o Novara
apenas explorava as situações de contra-ataque. Seria nesta toada que ao
intervalo o marcador indicava uma igualdade a dois golos. E à semelhança do que
havia ocorrido em Itália o Sporting fez uma segunda parte brilhante, e com um
(guarda-redes) António Chambel fabuloso não deixou os italianos marcar um único
golo, e juntando a isso uma exibição gigantesca de Campelo o Sporting voltou a
marcar três golos e venceu a final por 5-2, e para as suas recheadas vitrinas
levou mais um troféu, o seu último troféu internacional.
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Óquei de Barcelos, a última equipa portuguesa a festejar
a conquista de uma Taça das Taças
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ÓQUEI DE BARCELOS 1992/93: Em meados dos anos 90 ganhava
cada vez mais contornos a ideia da criação de uma grande competição de hóquei
patins a nível internacional, uma competição que pudesse agregar em si as
melhores equipas das grandes potências da modalidade, isto é, uma Liga
Europeia, o que viria a acontecer num futuro muito próximo. A TdT estava pois
em declínio, e o seu fim era iminente. 1993 foi pois o último ano de glória
para o hóquei patins luso no seio desta competição, ano este em que a equipa da
moda - daquela altura - venceu a sua terceira competição internacional. Falamos
do Óquei de Barcelos, emblema minhoto que se fez grande na década de 90 com uma
série de conquistas. Depois da vitória surpreendente na Taça dos Campeões
Europeus de 1991 e na Taça Intercontinental de 92, os barcelenses arrecadaram a
TdT em 93, na sequência de uma caminha imaculada de seis vitórias alcançadas
noutros tantos jogos disputados. Na primeira eliminatória Paulo Alves,
Guilherme Silva, Pedro Alves, e companhia despacharam com categoria os
favoritos do Voltregà com um total de 15-3, sendo de sublinhar a goleada que os
espanhóis sofreram em Barcelos na primeira mão: 10-2! O caminho para a glória
ficava assim mais fácil, até porque nas meias-finais os alemães do Cronenberg
não ofereceram grande resistência, conforme explicam as duas folgadas vitórias
obtidas pelos barcelenses, 10-2 em solo luso, e 9-2 em terras germânicas. E se
a meia-final não foi complicada, a final foi um autêntico passeio para os
minhotos, visto que pela frente tinham o frágil e desconhecido conjunto
helvético do Thunerstern. A TdT ficou praticamente entregue após o encontro da
primeira mão, ocorrido na Suíça, de onde o Óquei de Barcelos saiu com um
expressivo triunfo por 8-0. Só uma catástrofe impediria os minhotos de
escreverem a mais uma brilhante página na sua história, e na segunda mão,
jogando diante do seu entusiasta público, o Óquei atuou descomprimido, o
suficiente para obter novo triunfo, desta feita por 6-3, e assim inscrever o
seu nome na lista de campeões de uma competição que chegaria ao fim em 1996.
1993 seria mesmo um ano dourado para o Óquei de Barcelos,
que para além desta TdT venceria ainda o campeonato nacional, a Taça de Portugal,
e a Supertaça de Portugal. Notável.
Taça CERS/Taça WSE: Portugueses repartem domínio com os eternos
inimigos de Itália e de Espanha
Em 1980 a CERH lança a sua terceira competição ao nível de
clubes, a Taça CERS, o equivalente à Taça UEFA no futebol. Até hoje - 2017 -
foram realizadas 37 edições, tendo a prova sido ganha por 25 conjuntos
diferentes, um claro sinal do equilíbrio que se tem verificado ao longo da
história. Em termos de palmarés Portugal luta neste momento taco a taco com os
seus eternos inimigos no planeta do hóquei em patins, Itália e Espanha no que a
número de conquistas diz respeito, sendo que as equipas portugueses somam 12
triunfos, contra 10 dos italianos, e 15 dos espanhóis. Esta tem sido uma
competição propícia a que pequenos clubes apareçam na senda internacional,
casos dos espanhóis do Tenerife, do Tordera, do Vilanova, ou dos italianos do
Amatori Vercelli, e do Seregno, que tiveram a oportunidade de inscrever o seu
nome na lista de vencedores.
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A famosa equipa do Sesimbra que em 1981 inaugurou a lista de
campeões da Taça CERS |
SESIMBRA 1980/81: Portugal também venceu a prova por
intermédio de clubes de menor dimensão, tendo um desses clubes inaugurado a
lista de campeões na época de 1980/81. Referi-mo-nos ao modesto Sesimbra - hoje
quase desaparecido o mapa do hóquei lusitano - que em Junho de 81 bateu na
primeira final da Taça CERS os excêntricos holandeses do Lichstadt por um total
de 6-1. Até levantar o troféu o Sesimbra deixou pelo caminho os franceses do
Gujan (8-4/14-2), os espanhóis do Noia (3-6/6-1) e os italianos do Amatori Lodi
(3-6/10-1). Para a história ficam os nomes de José Adrião, José Pedro, Carlos
Pereira, Carlos Garrancho, Guedes, Silveira, Fernando António, Carlos Cunha e
Ernesto Meireles (treinador).
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Em 1984 o Sporting fez história no hóquei em patins
internacional, ao tornar-se na primeira equipa europeia
a vencer as três competições da CERS
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SPORTING 1983/84: Na temporada de 1983/84 o Sporting entrou
para a história, pois tornou-se na primeira equipa europeia a conquistar os
três troféus continentais - Taça dos Campeões Europeus, Taça das Taças, e Taça
CERS. Treinados pelo mago dos patins e do stick António Livramento os leões
bateram na final o Novara, de Itália, com quem travaram um duelo intenso e com
algumas cenas de pugilato, sobretudo no primeiro encontro, realizado em terras
transalpinas, onde a violência dos italianos assumiu contornos extremos.
Intimidados, ou não, pela agressividade do seu oponente o que é certo é que o
Sporting perdeu por 4-1. Na segunda mão um super Sporting entrou no rinque de
Alvalade, e com uma exibição espetacular humilhou por completo o Novara, que
saiu de Lisboa vergado a uma pesada derrota por 11-3. José Rosado, Ramalhete,
Pedro Trindade, Luís Nunes, Campelo, Sérgio Nunes, e um jovem promissor chamado
Carlos Realista entraram assim não só para a história do hóquei sportinguista
mas também do hóquei internacional.
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Histórica equipa do Benfica que em 1991
ofereceu ao clube o seu primeiro troféu internacional
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BENFICA 1990/91: Desde a histórica vitória leonina foram
precisos mais quatro anos para que de novo a bandeira portuguesa fosse içada no
mastro mais alto da competição, e de novo por intermédio de um pequeno clube,
neste caso o Sporting de Tomar, que na final de 1988 derrotou com surpresa os
italianos do Amatori Vercelli - que em 83 haviam vencido esta competição - por
um total de 14-8 (com duas vitórias na final, em casa por 6-5, e fora por 8-3).
E eis que em 1991 finalmente o Benfica vence uma prova europeia de hóquei
patins. Com cinco finais continentais perdidas no currículo - três na TCE, e
duas na TdT - os encarnados mataram o borrego em 91 na sequência de uma vitória
na final sobre os espanhóis do Réus, por um total de 14-9. Este triunfo marcou
o início de uma década de ouro para o hóquei benfiquista, sendo que entre 1993
e 1995 a equipa não perdeu um único jogo, estabelecendo assim um recorde que
perdura até hoje no seio da modalidade a nível nacional. Com uma equipa
recheada de craques - hoje lendas da modalidade - onde pontificavam nomes como
Vítor Fortunato, José Carlos, Luís Ferreira, Rui Lopes, e Paulo Almeida - que
era simultaneamente o "cinco" base da seleção nacional - o Benfica,
orientado pelo técnico Carlos Dantas, era uma verdadeira máquina de ganhar,
sendo que em números a década de 90 pauta-se pela conquista de cinco títulos de
campeão nacional, três Taças de Portugal, quatro supertaças portuguesas, e a
tal histórica Taça CERS.
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FC Porto venceu a Taça CERS em 1994 e... |
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...1996 |
FC PORTO 1993/94 e 1995/96: Os anos 90 foram de pura glória
para o hóquei português na Taça CERS. Em 10 edições cinco foram vencidas pelos
lusos, sendo que para além do triunfo do Benfica em 1991 ficam para a
eternidade as vitórias do FC Porto, do Óquei de Barcelos, e da Oliveirense. Os
portistas conquistaram mesmo a prova por duas ocasiões, a primeira em 1994,
deixando para trás o Bassano (Itália), Turquel (Portugal), e o Flix (Espanha),
antes de derrotar na grande final os também espanhóis do Vic (derrota na
primeira mão por 2-5, e triunfo no jogo de volta por 7-1. Em 1996 a taça voltou
a viajar para as Antas, na sequência de um duplo triunfo na final diante do
Tordera (Espanha) por 3-0/7-1.
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Óquei de Barcelos entrou em 1995 para o restrito clube das
equipas que venceram as três competições da CERS
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ÓQUEI DE BARCELOS 1994/95: Um ano antes o mesmo Tordera
havia perdido o troféu para os minhotos do Óquei de Barcelos, no seguimento de
uma derrota - no total das duas mãos - por 10-6. Desta forma, FC Porto e Óquei
de Barcelos faziam companhia ao Sporting no restrito clube de equipas que
haviam vencido as três competições da CERH. Em 1997 outra pequena - grande -
equipa lusa levou para as suas vitrinas a Taça CERS, neste caso a Oliveirense,
que numa final 100 por cento portuguesa derrotou o Gulpilhares por um total de
8-5 no conjunto das duas mãos.
Equipa do Benfica que conquistou a segunda Taça CERS do
clube, em 2011
Já no novo milénio assistiu-se à histórica conquista por
parte de... um histórico do hóquei português, o Paço de Arcos. Por oito vezes
campeão nacional nas décadas de 40 e 50, o clube da Linha só meio século mais
tarde alcançaria a tão perseguida glória continental. Na temporada de 1999/2000 o Paço de Arcos
brilhou na Europa do hóquei, começando por afastar na 1ª ronda a Oliveirense
nas grandes penalidades - empates nos primeiro (4-4) e segundo (2-2) jogos -
seguindo-se um triunfo por 10-8 - no total das duas mãos - sobre os italianos
do Bassano nos quartos-de-final. Antes de alcançar a final os sulistas bateram
os espanhóis do Flix por um total de 13-7, e no encontro mais desejado a vítima
do Paço de Arcos foi o experiente Voltregá, que socumbiu aos pés dos lusos com
duas derrotas (8-2/3-2).
Três anos antes do Paço de Arcos entrar para a restrita
lista de vencedores, a Oliveirense venceu o seu primeiro troféu continental
após derrotar numa final 100 por cento portuguesa o conjunto do Gulpilhares um
total de 8-5 (no conjunto das duas mãos).
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Benfica volta a vencer a Taça CERS em 2011 |
Desde 2007/08 que a final da CERS é realizada numa só mão na
cidade de um dos quatro semi-finalistas da prova, que entre si disputam uma
final four - à semelhança do que acontece com a Liga Europeia - sendo que em
2011 o Benfica voltou a conquistar o troféu, depois de ter batido na final os
espanhóis do Vilanova por 6-4.
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Sporting voltou aos triunfos europeus 24 anos após a sua
última festa |
SPORTING 2014/15: Após 24 anos de jejum europeu - o mesmo
será dizer de conquistas europeias - eis que os leões voltaram a rugir bem alto
na Europa do hóquei em patins. Facto ocorrido na Taça CERS, a segunda prova
continental ao nível de clubes, competição em que o Sporting começou por
afastar os espanhóis do Calafell, sendo que na primeira mão, realizada no país
vizinho, os lisboetas venceram por 3-2, abrindo assim caminho para um novo
triunfo duas semanas mais tarde, quando em Portugal os leões venceram por 3-1.
Seguiu-se, nos oitavos-de-final, o Basileia, da Suíça, combinado que em casa
não teve argumentos para evitar uma vitória curta mas merecida do Sporting, por
4-3. Em Lisboa, os verde-e-brancos confirmaram o seu poderio ao bater os suíços
por 5-3, carimbando assim o passaporte para a ronda seguinte. Fase esta onde a
fasquia da dificuldade ficou mais elevada, já que o oponente dos pupilos do
técnico Nuno Lopes eram os também lusos da Oliveirense, uma equipa experiente
em competições europeias, e apontada como um dos principais candidatos à
vitória final na prova. Em casa, diante do seu público, o Sporting entrou mal
na eliminatória, perdendo por 2-3, e para muitos dos experts em matéria de
hóquei em patins a teoria confirmava-se na prática: o leão não tinha unhas para
agarrar os hoquistas de Oliveira de Azeméis. Puro engano. Na segunda mão os
leões fizeram jus ao nome, e com uma exibição categórica alcançaram um merecido
triunfo por 4-1 que assim lhes abria as portas da final four. Fase decisiva
esta que teve lugar em Espanha, na Catalunha, em Igualada para sermos mais
precisos, que além da equipa da casa e do Sporting contava ainda com o Óquei de
Barcelos e o Réus. A caminhada dos sportinguistas até aqui tinha sido heróica,
sobretudo ante a Oliveirense, e para que a aventura continuasse a correr de
vento em popa eis que na meia-final os portugueses escrevem mais uma página
dourada nesta trajetória, ao eliminar após prolongamento a equipa da casa, o Igualada,
por 3-2, o que garantia a final, a tão sonhada final. E o último obstáculo rumo
ao sonho chamou-se Réus, poderosa e histórica equipa do hóquei espanhol, que
tinha em Marc Coy a sua grande referência. 26 de abril, pavilhão cheio para
assistir a um jogo épico, de parte a parte, equilibrado e espetacular do
princípio ao fim. Logo nos primeiros minutos Tiago Losna abriu o marcador para
os portugueses, um golo solitário que dava vantagem ao Sporting no descanso. E
eis que a meio do segundo tempo apareceu o génio de Coy, que em duas ocasiões
bateu o guardião Ângelo Girão e colocou o Reús na frente. O Sporting não baixou
os braços e até final tomou de assalto a baliza de Roger Molina, e a cerca de
quatro minutos do fim João Pinto fez justiça ao marcador ao apontar o 2-2. No
prolongamento nada se alterou e a partida teve de ir para o desempate de
grandes penalidades. Aqui, Girão foi o verdadeiro herói, ao defender três
grandes penalidades, enquanto que Daniel Oliveira e Nico Fernández converteram
em golo as suas sticadas e ofereceram assim o título ao Sporting. No final a
festa foi leonina, com o presidente do clube, Bruno de Carvalho, a juntar-se
aos festejos. Para a eternidade ficam os nomes de: Ângelo Girão, Daniel
Oliveira, Nico Fernández, Ricardo Figueira, André Moreira, Tiago Losna, João
Pinto, Zé Diogo Macedo, André Pimenta, Carlos Martins, e Nuno Lopes
(treinador). *Nota: Texto atualizado em 26 de abril de 2015
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A alegria dos jogadores do Óquei de Barcelos
após vencerem o quarto título europeu da sua história
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ÓQUEI DE BARCELOS 2015/16: Clube com uma gloriosa tradição
no hóquei patinado nacional e internacional, o Óquei de Barcelos voltou em 2016
a elevar o seu nome na alta roda do hóquei em patins europeu na sequência da
conquista da Taça CERS. Mais de duas décadas após ter conquistado pela primeira
vez na sua história o segundo troféu mais importante do Velho Continente, os
barcelenses ergueram o caneco diante dos seus fervorosos adeptos na sequência
de um triunfo por 6-3 ante os espanhóis do Vilafranca no encontro decisivo de
uma final four que teve lugar em Barcelos.
A caminhada até à glória teve um início relativamente fácil,
já que na pré-eliminatória o Óquei atropelou os frágeis austríacos do Villach
com um resultado global (nas duas mãos) de 32-2 (16-2 e 16-1). A ronda seguinte
trouxe algumas dificuldades inesperadas a um conjunto que nesta temporada se
havia reforçado com a lenda do hóquei luso Reinaldo Ventura, oriundo do FC
Porto. Pela frente, os pupilos de Paulo Freitas tiveram os teoricamente acessíveis
franceses do Coutras, que na primeira mão dos oitavos-de-final da competição
impuseram um surpreendente empate a sete golos em... solo português! Porém, na
segunda mão o favorito Barcelos confirmou o seu estatuto de gigante do hóquei
internacional adquirido nos anos 90 do século passado, e arrumou a questão com
um concludente 12-3. O sonho de voltar à ribalta internacional ganhava agora
contornos mais definidos para o gigante adormecido Barcelos, mas o adversário
dos quartos-de-final impunha respeito, já que era (e é) um dos conjuntos mais
poderosos do hóquei italiano: o Amatori Lodi. A primeira mão foi realizada no
Pavilhão de Barcelos que, como manda a tradição, encheu para presenciar uma
exibição de gala do seu amado Óquei. Ao intervalo os portugueses já venciam por
4-1,graças a sticadas certeiras da estrela Reinaldo Ventura, Hugo Costa (2) e
Zé Pedro. Na segunda parte o carrossel mágico dos minhotos continuou a
encantar, tendo Reinaldo Ventura, em duas ocasiões, Luís Querido e Pedro Mendes
feito balançar por mais quatro ocasiões as redes da baliza de Porchera e
sentenciar a partida em 8-4 a favor dos portugueses. Meio caminho rumo à final
four estava feito, faltava superar o inferno de Lodi. E ali o Óquei começou com
alguma tremideira fruto do domínio natural dos italianos, que aos cinco minutos
da segunda parte venciam por 3-0, colocando assim em risco o apuramento dos
lusos. Porém, e como que acordando de um sono profundo, os barcelenses
empataram de rompante a partida a três golos aos 16 minutos. O jogo estava de
loucos, já que o Lodi não baixou os braços e voltou a colocar-se em vantagem
por 4-3. No entanto, o Barcelos respondeu, e no espaço de um minuto Pedro
Mendes fez dois golos que silenciaram o pavilhão. O Lodi ainda teve forças para
se recolocar na posição de vencedor, mas já muito tarde para virar a
eliminatória, sendo que ainda houve tempo para Joca Guimarães fazer o 6-6 final
e carimbar o passaporte do Óquei para uma final four que seria disputada
precisamente em Barcelos. Disputada nos dias 30 de abril e 1 de maio a fase
final da competição contou ainda com os italianos do Matera, dos catalães do
Vilafranca e dos campeões da Taça CERS em título, o Sporting. E na meia final
diante de um pavilhão lotado o Barcelos teve de suar bastante para afastar o
Matera. Ao intervalo os lusos venciam por 2-0 com golos de Reinaldo
"Rei" Ventura, mas no segundo tempo o Matera reagiu e bem, chegando à
igualdade aos 12 minutos. Reinaldo Ventura estava com o stick em brasa, e aos
15 minutos recolocou o Óquei na frente do marcador, mas já perto do final
Antezza fez o 3-3 final. Houve então necessidade de prolongamento, que nada
decidiu. Chegaram os sempre terríveis penaltis, onde o Barcelos levaria a
melhor por 2-1, apurando-se assim para mais uma final europeia. O adversário
seria o Vilafranca que também havia afastado o Sporting por via das grandes
penalidades na outra meia final. O inferno de Barcelos assistiu a um grande e
memorável encontro de hóquei patins, que não só entra na história pelo
resultado final mas sobretudo pela emoção e pelo excelente jogo praticado por
ambos os conjuntos. Ao intervalo o Óquei já vencia por 5-2, sendo que na
segundo tempo limitou-se a controlar o jogo que iria terminar com a vitória
lusa por 6-3. Barcelos explodia de alegria, o seu Óquei voltava a reinar no
Velho Continente 21 depois da última conquista. Para a história ficariam os
nomes de Ricardo Silva, João Pereira, Hugo Costa, Joca Guimarães, Zé Pedro,
Luís Querido, Miguel Vieira, Pedro Mendes, Pedro Silva e o lendário Reinaldo
"Rei" Ventura, um dos melhores hoquistas de sempre da história da
modalidade. *Nota: Texto atualizado em 2
de maio de 2016
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Foi em terreno inimigo (Viareggio) que o Óquei de Barcelos
segurou a Taça CERS
pelo segundo ano consecutivo
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ÓQUEI DE BARCELOS 2016/17: Brilhante, é a palavra adequada
para descrever a epopeia do Óquei de Barcelos na Taça CERS de 2016/17,
competição em que os nortenhos dissiparam todas as dúvidas - se é que as havia
- em relação ao facto de terem recuperado o estatuto de gigante do hóquei em
patins internacional. E se a vitória na temporada anterior tinha tido um sabor
especial por ter sido obtida em Barcelos, a conquista de 2017 foi inolvidável e
todos os títulos pelo simples facto de ter sido alcançada diante da equipa que
atuava em casa no jogo decisivo da prova. Mas já lá vamos. O trajeto rumo a uma
nova glória europeia aconteceu em janeiro, altura em que na primeira ronda da
competição os barcelenses iniciaram a defesa do ceptro ante os italianos do
Follonica. Em solo transalpino, na primeira mão, os jogadores de Paulo Freitas
impuseram-se com um triunfo por 3-1, resultado que deixava aberta a porta dos
quartos-de-final. E na segunda mão, em Barcelos, nova vitória, desta feita por
3-2. Contudo, o Óquei teve de se aplicar a fundo para derrotar um forte
conjunto italiano que nunca se deu por vencido, viajando para Portugal com a
intenção de dar a volta à eliminatória, como comprova o facto de Federico
Paganini ter aberto o marcador. Golo que despertou os barcelenses, que ainda antes
do intervalo passaram para a frente com golos de Álvaro Morais e Luís Querido.
Na segunda parte, e apesar da pressão transalpina, os portugueses controlaram o
encontro, e aos 34 minutos Hugo Costa faria o 3-1, selando praticamente a
passagem de eliminatória. Paganini ainda reduziu, mas já era tarde. Nos
quartos-de-final um novo osso bem duro de roer foi colocado no caminho dos
portugueses. Osso duro que dava pelo nome de Vilafranca, curiosamente o
adversário do Óquei na final da edição anterior, que estava sedento de
vingança. A reedição da final de 2016 teve o primeiro ato na Catalunha, onde os
barcelenses até nem entraram mal, já que ao intervalo o resultado era lhes
favorável por 1-0, graças a um golo do mito Reinaldo "Rei" Ventura.
Na segunda parte o Vilafranca partiu com tudo para cima do conjunto de Paulo
Freitas, chegando rapidamente ao 3-1. Ainda antes do final João Guimarães
reduziu a desvantagem dando assim alguma esperança ao Óquei de Barcelos para o
jogo da segunda mão. E na bela localidade minhota o Óquei viveu mais uma
jornada memorável fruto de uma exibição categórica. Luís Querido (com dois
golos), João Guimarães, Miguel Vieira, Álvaro Morais e Reinaldo Ventura fizeram
o gosto ao stick, e mais do que isso ajudaram a construir uma inquestionável
vitória por 6-3 que colocava o Óquei em nova final four. Fase decisiva em que
os portugueses já não contaram com o seu treinador, Paulo Freitas, que depois
da eliminatória diante do Vilafranca partiu para Lisboa, para treinar o
Sporting. Para o seu lugar chegou Paulo Pereira, o homem que em 2014 havia
guiado o Valongo ao inédito título de campeão nacional. Voltando à final four
da Taça CERS 2016/17 para dizer que a lindíssima cidade de Viareggio foi o
palco escolhido pela CERH para receber o Óquei de Barcelos, o Hockey Sarzana
(Itália), o Caldes (Espanha) e a equipa local, os quatro cavaleiros que iriam
lutar pela posse do troféu. E o primeiro obstáculo derrubado pelo Óquei rumo a
uma nova final foi o Sarzana, equipa aguerrida que lutou bastante para contrariar
o favoritismo dos lusos que ao intervalo venciam pela margem mínima (2-1), com
golos de Álvaro Morais e Reinaldo Ventura. Foi acima de tudo um grande jogo de
hóquei, que iria ficar decidido na reta final, altura em que Miguel Vieira fez
o 3-1 final e abriu a porta do jogo decisivo aos portugueses, que iriam agora
defrontar a turma da casa, o Viareggio. Italianos que eram treinados pela
antiga lenda do Óquei de Barcelos dos anos 90, Alessandro Bertolucci, que em
campo tinha ainda às suas ordens o seu irmão mais novo, Mirko, também ele um
antigo jogador dos barcelenses. Uma cidade inteira apoiava a sua equipa rumo a
uma inédita conquista europeia, transformando o pavilhão num autêntico inferno
para o Óquei de Barcelos, que apesar favorito sentiu algumas dificuldades
iniciais para impor a sua supremacia. Xavi Costa fez explodir a multidão quando
aos 5 minutos colocou o Viareggio em vantagem. Contudo, ainda antes do
intervalo os portugueses deram a volta ao marcador, primeiro por João Guimarães
e depois por intermédio de Hugo Costa. No segundo tempo o Óquei não só segurou
a avalanche italiana como ampliou a vantagem aos 41 minutos por Rúben Sousa. Um
minuto mais tarde Mirko Bertollucci ainda acordou os apáticos tiffosi da casa
ao reduzir para 2-3 na execução de um livre direto, mas a escassos segundos do
final Miguel Vieira deu a machadada final ao fazer o 4-2, resultado que
permitiu ao Óquei de Barcelos continuar na posse da Taça CERS. Com esta
conquista os portugueses tornavam-se a par do Novara (Itália) e do Liceo da
Corunha (Espanha) como a equipa mais titulada da segunda competição da CERH -
com três conquistas. *Nota: Texto atualizado em 1 de maio de 2017
Taça Continental: Domínio avassalador de Espanha em
contraste com o modesto brilho luso
No mesmo ano (1980) em que organizou a primeira edição da
Taça CERS a entidade que regula o hóquei patinado europeu cria a sua quarta
competição continental: a Taça Continental. É em tudo semelhante à Supertaça
Europeia de futebol, isto é, disputa-se no início de cada temporada desportiva
entre o campeão da Liga Europeia e o vencedor da Taça CERS. Isto no presente,
pois até 1996 foi discutida entre o campeão europeu e o vencedor da hoje
extinta Taça das Taças (TdT). Dito de uma forma simples e frontal, a Taça Continental
é uma competição onde os clubes portugueses não têm sorte, já que em 37 edições
- realizadas até à data (2017) - apenas por seis ocasiões saíram vencedores,
sendo que nas restantes a taça viajou sempre para... Espanha, e quase sempre
por intermédio do mesmo emblema, o FC Barcelona, que detém nas suas vitrinas
quase duas dezenas de taças continentais!
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O lendário "dream team" do FC Porto liderado pelo
mago Vítor Hugo que conquistou
a primeira Taça Continental para Portugal
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FC PORTO 1986: Mas no que concerne a clubes lusos a primeira
conquista remonta a 1986, ano em que o FC Porto interrompeu uma série de seis
títulos consecutivos do Barça. Os portistas entraram em pista como detentores
do título europeu conquistado na época transata garças ao virtuosismo de lendas
como Carlos Realista, Alves, Franklin ou Vítor Hugo. E na disputa pela Taça
Continental os portistas defrontaram a equipa sensação da Taça das Taças de
1885/86, a Sanjoanense, que contra todas as expectativas havia vencido a então
segunda competição mais importante da CERH. Mas o poderio dos portistas era por
demais evidente, conforme viria a comprovar-se na primeira mão do duelo luso,
ganho pelos azuis e brancos por 9-3. Na segunda mão os campeões europeus
tiraram o pé do acelerador, permitindo uma vitória amarga da turma de S. João
da Madeira por 3-4. Amarga - para os sanjoanenses - porque a taça viajou para a
Cidade Invicta.
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1991 foi um ano memorável para Barcelos, cidade que por
intermédio do seu Óquei
conquistou a Europa (e o resto do Mundo) do hóquei em patins
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ÓQUEI DE BARCELOS 1991: Quatro anos mais tarde seria a vez
do Óquei de Barcelos colocar as mãos na taça. Estávamos em 1991 e os
barcelenses eram por estes dias a equipa "número 1" do Velho Continente.
Por outras palavras eram os detentores do mais importante ceptro europeu, e
mais do que isso eram um verdadeiro "dream team" onde pontificavam
nomes como Paulo Alves, Pedro Alves, ou Guilherme Silva. 1991 foi mesmo o ano
dourado da rica história do emblema de Barcelos a nível internacional, já que
ao título de campeão da Europa iria somar a Taça Intercontinental e esta Taça
Continental. Uma conquista alcançada à custa de outro clube português, no caso
o Sporting, vencedor da TdT de 1990/91, graças a dois inquestionáveis triunfos
(11-2 / 5-3).
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Uma... |
BENFICA 2011: Foi preciso esperar 19 anos (!) para que a
Taça Continental voltasse a morar em Portugal. E este foi um regresso
atribulado e relativamente fácil. Passamos a explicar. Atribulado porque um dos
participantes na disputa resolveu à última da hora não viajar para Viana do
Castelo - local designado pela CERH para acolher a final a uma só mão - o que
permitiu uma vitória fácil ao... Benfica. Os encarnados - que surgiam neste
cenário na qualidade de campeões da Taça CERS de 2010/11 - arrecadaram pela
primeira vez o troféu, sendo-lhes atribuído um triunfo por 10-0 sobre o Liceo
da Corunha, por falta de comparência dos galegos. A explicação dada por estes
últimos para justificar a ausência desta final foi de que no dia seguinte teria
um jogo importante para a Liga Espanhola, jogo esse que era prioritário. Assim,
os benfiquistas entraram no rinque só para fazer a festa, tendo, no entanto, o
seu treinador, Luís Cénica, lamentado a forma como foi alcançado este feito:
«Esta taça vai figurar no meu currículo, mas devo confessar que foi o pior jogo
da minha carreira», afirmou então.
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...Duas... |
BENFICA 2013: Dois anos depois os encarnados voltaram a
discutir o troféu, agora na qualidade campeões da Europa. O adversário seria o
Vendrell (Espanha), que apesar de comparecer a jogo acabou por não oferecer
grande resistência aos lusos. O Benfica venceu a primeira mão da prova, em
terras espanholas, por 5-3, resultado que deu alguma tranquilidade para o
encontro da segunda mão, em Lisboa. E de facto seria bem tranquila e robusta a
nova vitória dos portugueses, graças a sticadas certeiras do argentino Carlos
Lopez (em duas ocasiões), João Rodrigues (também por duas vezes) e do espanhol
Marc Coy. 5-0, o resultado final, com um total de 10-3, no conjunto das duas
mãos.
... três Taças Continentais que moram no Museu do Benfica
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...Três vitórias na Taça Continental para as águias |
BENFICA 2016: Em 2016 a Taça Continental volta a ser
totalmente portuguesa, isto é, é discutida por dois clubes nacionais, no caso o
Benfica (campeão europeu) e o Óquei de Barcelos (vencedor da Taça CERS). A
equipa minhota ainda sonhou colocar a mão no troféu pela segunda vez na sua
história, depois de na primeira mão ter vencido por 5-4 em sua casa. Porém, na
segunda mão os benfiquistas puxariam dos galões, e esmagaram o Óquei por 9-2,
dando assim a volta e levando para o seu Museu a terceira Taça Continental.
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Jogadores da Oliveirense fazem a festa em Viareggio (Itália)
após a vitória na Taça Continental |
OLIVEIRENSE 2017: A CERH introduziu, em 2017, algumas
modificações na sua Taça Continental. Desde logo o facto de a competição passar
a ser disputada por quatro clubes ao invés dos dois vencedores das restantes
provas continentais ao nível de clubes - a Liga Europeia e a Taça CERS. Além
dos dois campeões continentais, a prova passou a incluir os vice-campeões das
duas citadas competições, passando assim para quatro o número de equipas que
disputavam entre si a Taça Continental, num formato de final-four - com duas
meias-finais e a grande final. E para esta nova versão do certame, Portugal foi
representado por dois clubes, a Oliveirense, na condição de vice-campeã da Liga
Europeia da temporada de 2016/17, e o Óquei de Barcelos, campeão da Taça CERS
da mesma época. A lutar pelo terceiro troféu continental estavam ainda o
campeão europeu Reus e o finalista vencido da Taça CERS, o Viareggio.
E foi precisamente nesta última cidade italiana que decorreu
a final four, sendo que uma das meias-finais colocou frente a frente os dois
conjuntos lusos, as quais travaram uma batalha de cortar a respiração - no bom
sentido da palavra. Foi, na verdade, um inolvidável e emocionante jogo de
hóquei, que chegou ao fim do tempo regulamentar empatado a dois golos, sendo
que o tento do empate da turma de Oliveira de Azeméis chegou em cima do soar da
campainha pelo stick de João Souto. Comandada pela antiga lenda dos rinques Tó
Neves, a Oliveirense rompeu no prolongamento com o equilíbrio que até então se
verificava, impondo-se categoricamente ao adversário, uma superioridade que foi
vincada com dois golos da autoria de Jordi Bargalló e João Souto, que assim
bisavam - cada um deles - na partida e selaram o marcador em 4-2.
No dia seguinte (15 de outubro) a Oliveirense subiu ao
rinque do PalaBarsacchi de Viareggio para medir forças com a equipa que cerca
de três meses antes lhe havia roubado o sonho de ser campeã da Europa: o Reus.
No ar pairava um clima de vingança para os lusos, que procuravam não só vencer
o segundo troféu continental da sua história, mas sobretudo vingar a derrota na
última final da Liga Europeia ante os catalães. Oliveirense que mais uma vez
realizou uma exibição de grande categoria, superiorizando-se desde cedo ao
teoricamente favorito Reus. Aos seis minutos, João Souto abriu o marcador, um
golo que acordou o colosso catalão, que sete minutos volvidos empatou a
contenda por intermédio de Albert Casanovas. Porém, esta era a noite da
Oliveirense, que ainda antes do intervalo recolocou-se em vantagem, graças as
duas sticadas plenas de êxito de Jepi Selva e de Pablo Cancela. A segunda parte
teve início a todo o gás, e com apenas 27 segundos jogados, Ricardo Barreiros
fez o 4-1 para os portugueses, que assim estavam cada vez mais perto de colocar
as mãos na taça. Mas ainda havia muito tempo para jogar, e o Reus voltou a
reentrar na discussão do resultado, de novo graças ao génio de Casanovas. O
jogo entrou então numa fase louca, de bola cá, bola lá, acabando os golos por
surgir com naturalidade para os dois lados, tendo, no entanto, a Oliveirense
sido mais eficaz na hora de atirar à baliza de Candid Ballart, ao apontar três
golos, por intermédio de Pedro Moreira (2) e João Souto. De nada valeram assim
os tentos de Albert Casanovas, mais uma vez, e Alex Rodriguez. Resultado final:
7-4 para a Oliveirense, que assim trazia mais uma eurotaça para Portugal.
*Nota: Texto atualizado em 15 de outubro de 2017
 |
Foi em casa que o Sporting conquistou a sua primeira Taça
Continental |
*SPORTING 2018/19: No início da temporada de 2019/20
disputou-se a Taça Continental numa final four que teve como cenário o Pavilhão
João Rocha, casa do Sporting. Estávamos em setembro, e tal como havia
acontecido num passado recente a decisão do título teve um empolgante duelo
entre os finalistas da Liga Europeia, FC Porto e Sporting. Para chegar à final
leões e dragões deixaram pelo caminho os finalistas da Taça CERS,
respetivamente os italianos do Sarzana e os espanhóis do Lleida. Com muitas
caras novas nos respetivos grupos, Sporting e FC Porto proporcionaram um
encontro intenso pautado pelo equilíbrio. Apesar disto o Sporting entrou na
pista mais mandão, mas pela frente encontrou um guarda-redes inspirado. Romero
foi o primeiro a desbloquear o nulo, na sequência de um lance de génio
individual. Porém, os portistas não baixaram a guarda e o reforço Carlo Di
Benedetto restabeleceu a igualdade na cobrança de um livre direto. Na segunda
parte o Sporting começou por tentar imprimir na partida um ritmo mais rápido,
mas sentia dificuldades na hora de furar a muralha defensiva dos portistas. No
entanto, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", como diz
o ditado, e Romero voltou a colocar os leões em vantagem. O italiano Cocco, de
livre direto, ainda empatou, mas uma ponta final dos leões agressiva - no bom
sentido da palavra - desfez a igualdade e garantiu a primeira Taça Continental
ao Sporting. A menos de dois minutos do fim, Raul Marín pega na bola e com uma
"picadinha" bateu o guardião Malián e fez o 3-2 final.
*Nota: texto atualizado em setembro de 2019.
Sporting ergue em Lleida a sua segunda Taça Continental |
*SPORTING 2020/21: Na condição de campeão europeu o Sporting
defrontou a 18 de setembro de 2021 a formação espanhola do Lleida para decidir
quem seria o vencedor da Taça Continental. O encontro foi realizada na
Catalunha, em casa do detentor da WS Europe Cup (antiga Taça CERS). Após uma
época de interregno, em que não se realizou devido à pandemia de Covid-19, a
prova voltou aos rinques em moldes distintos das últimas edições, isto é, ao
invés de ser disputada em sistema de final four foi desenrolada num só jogo
entre os vencedores das duas principais provas continentais. E este jogo sorriu
à turma portuguesa, que ao vencer por 3-1 os catalães somou o seu segundo
título na prova. Os golos leoninos foram apontados por João Almeida, aos 17
minutos da primeira parte, e já na segunda parte por Nolito, aos 30 minutos, e
por João Souto, aos 47 minutos. Nos segundos finais Andreu Tomás reduziu para o
combinado da casa. *Nota: texto atualizado em setembro de 2021
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Valongo inscreveu o seu nome na lista de campeões de provas europeias em 2022 |
*VALONGO
2021/22: Terra que tive o hóquei em patins de uma forma muito apaixonada,
Valongo entrou, por fim, na galeria dos clubes portugueses que têm o seu nome
inscrito nos vencedores das competições europeias. Tudo aconteceu na Taça
Continental de 21/22, altura em que a turma do norte de Portugal bateu os
italianos do Trissino por 2-1 e conquistou o troféu. Integrada na final four da
citada competição, realizada em Follonica (Itália) esta final foi uma reedição
do encontro decisivo da Liga Europeia de 21/22, conquistada então pelo conjunto
transalpino. Desta feita o Valongo venceu, com golos de Rafael Sousa e de Diogo
Abreu. Para colocar a mão no troféu continental os valonguenses derrotaram nas
meias-finais o Calafell, de Espanha, por 3-2. Foi um jogo épico, em que o
Valongo recuperou de uma desvantagem de dois golos. Esta final four da Taça
Continental foi disputada pelos finalistas da Liga Europeia da temporada de
21/22, mais concretamente o Trissino e o Valongo; e pelos finalistas da Taça WS
Europa (antiga Taça CERS) da mesma época, ou seja, os espanhóis do Calafell e
os italianos do Follonica. A par do título de campeão nacional obtido em 2014
esta Taça Continental é o cetro máximo conquistado por este clube tão especial
do hóquei patinado luso. *Nota:
texto atualizado em setembro de 2022.
Taça Intercontinental: Três gotas de água lusitanas no
imenso oceano espanhol
É talvez o troféu internacional ao nível de clubes com menor
expressão. No entanto, arrebata-lo não deixa de ter um sabor especial, desde
logo porque se trata de um título internacional, mas o facto de ser discutido
com equipas do lado de lá do oceano (Atlântico) faz com que esta seja uma prova
de vencedor previsível mesmo antes de a bola ser posta a rolar no rinque.
Falamos da Taça Intercontinental, competição que é
atualmente disputada entre os vencedores da Liga Europeia e do Campeonato
Sul-Americano. É, como já foi dado a entender, uma competição rodeada de pouco
interesse, sobretudo atendendo à enorme diferença de qualidade entre
sul-americanos e europeus, com clara vantagem para estes últimos. Facilmente
podemos constatar este facto olhando para a lista de vencedores de um certame
que teve início em 1983, em que nas 17 edições realizadas apenas por uma vez um
clube da América do Sul levou a melhor sobre um combinado europeu, no caso, os
argentinos do Trinidad, que em 1986 derrotaram o FC Barcelona. Tal como
acontece na Liga Europeia e na Taça Continental também os emblemas espanhóis
levam larga vantagem - no que concerne a títulos - sobre os vizinhos italianos
e portugueses. Entre 1983 e 2017, nuestros hermanos arrecadaram o troféu em 12
ocasiões, ao passo que os lusos o fizeram por três vezes e os italianos por uma
ocasião. A Taça Intercontinental é jogada atualmente a uma só mão, num local
neutro acordado pelas duas equipas, embora nas oito primeiras edições a prova
tivesse sida disputada a duas mãos, uma em cada continente, embora numa ou
noutra ocasião os dois jogos foram disputados no mesmo continente de modo a
evitar viagens longas para as equipas.
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Óquei de Barcelos posa para a fotografia junto do seu
adversário da final
da Taça Intercontinental, o Sertãozinho
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ÓQUEI DE BARCELOS 1992: Campeão da Europa em 1991 coube ao
Óquei de Barcelos a honra de defender o Velho Continente na 5ª edição da Taça
Intercontinental, disputada somente em 1992, depois de três anos de interregno.
Os barcelenses decidiram disputar os dois encontros da prova em solo
forasteiro, no caso, em território brasileiro, já que de Terras de Vera Cruz
saiu o seu adversário de então, mais precisamente o Sertãozinho. E bem podemos
dizer que na verdade os portugueses foram fazer turismo ao Brasil, já que
poucas ou nenhumas dificuldades encontraram pela frente para derrotar o campeão
sul-americano nos dois jogos - 7-3 e 2-1. Desta forma, o Óquei era a primeira
equipa portuguesa a conquistar o troféu, graças à mestria de nomes como Pedro
Alves, Paulo Alves ou Guilherme Silva. Foram de facto os anos de ouro do Óquei
de Barcelos no plano internacional.
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Benfica celebrava em Torres Novas a conquista do... Mundo |
BENFICA 2013: Foi preciso esperar mais de duas décadas - 21
anos para sermos mais precisos - para ver novamente uma equipa lusa erguer o
troféu. Facto ocorrido em 2013, quando em Torres Novas o campeão europeu
Benfica esmagou os brasileiros do Sport do Recife por 10-3. Orientados por
Pedro Nunes, os encarnados não sentiram dificuldades para arrecadar o troféu,
já que os golos deram vida à evidente supremacia dos lusos, que ao intervalo já
cilindravam os sul-americanos por 5-0. Valter Neves, Marc Coy, Carlos López e
Diogo Rafael dividiram entre si a dezena de golos dos novos campeões do Mundo.
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Na casa do inimigo (Reus) o Benfica venceu a sua segunda
Taça Intercontinental |
BENFICA 2017: Em 2017 a FIRS introduz uma alteração na
competição no sentido de lhe conferir mais brilho. Além dos campeões
continentais do referido ano, a prova contou ainda com os dois campeões da
Europa e da América do Sul de 2016, criando-se assim uma final-four. E neste
ano de 2017 a Europa foi representada pelos catalães do Reus (vencedores da
Liga Europeia de 2017) e do Benfica (campeão da mesma competição no ano
anterior), enquanto que a América do Sul se fez representar pelo seu último
campeão, os argentinos do Concepeción Patin Club, e campeão de 2016, o Andes
Tallers, também da Argentina. Os portugueses acabariam por levar a melhor sobre
a concorrência. Para colocar as mãos no seu segundo troféu intercontinental o
Benfica começou por bater nas meias-finais o Andes Tallers por 7-4, num jogo em
que o principal destaque individual vai para o argentino Carlos Nicolia, autor
de três dos sete tentos lisboetas - os outros seriam apontados por Miguel
Rocha, Tiago Rafael (2) e João Rodrigues. Na grande final os lusos defrontariam
a equipa da casa, o Reus - a fase final foi disputada nesta cidade catalã -,
tendo vencido por 5-3. Uma vitória nada fácil, já que ao intervalo o campeão da
Europa em título vencia por 1-0. No entanto, uma exibição de luxo de Jordi
Adroher, com quatro golos, ajudou a turma portuguesa a dar a volta ao marcador
e a trazer para Lisboa a sua segunda Taça Intercontinental.
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