terça-feira, 2 de julho de 2024

O FC Porto de Vítor Hugo eclipsou o poderoso Sporting de Livramento na primeira final internacional 100% portuguesa

Com o aparecimento das competições europeias de hóquei patins na segunda metade dos anos 70 do século passado, foi com naturalidade que os clubes portugueses começaram a enriquecer os seus currículos a nível internacional no seio da modalidade. Ou não fosse Portugal uma das maiores potências do hóquei sobre rodas. No início da década de 80 já o país tinha nas suas vitrinas as três principais taças europeias à época, nomeadamente a Taça dos Campeões Europeus (conquistada pelo Sporting em 1977), a Taça CERS (arrecadada em 1981 pelo Sesimbra) e a Taça das Taças (à conta do Oeiras em três ocasiões – 1977, 1978 e 1979 – e do Sporting, em 1981). E eis que na temporada de 81/82 dá-se um momento até então inédito no hóquei patinado luso: o facto de uma final europeia ser disputada por duas equipas nacionais. Pois bem, o detentor do troféu, o Sporting, tentava segurar o título diante do FC Porto, numa dupla final, isto é, jogada a duas mãos, que ficou nos anais da história da modalidade, como iremos perceber nas próximas linhas à boleia da Gazeta dos Desportos. Orientado pela lenda do hóquei planetário António Livramento, o Sporting entrou a todo o gás no rinque, no jogo da primeira mão da final, realizado no Pavilhão das Antas, com 6000 espectadores nas bancadas. Logo aos 2 minutos, Sobrinho sticou com êxito para o fundo da baliza de Domingos, perante a euforia de Livramento, que do banco incentivava a sua rapaziada com gritos de que estes iriam vencer aquele encontro. 

Livramento passa o trono a Vítor Hugo

Puro engano. Três minutos volvidos começou o recital portista, com Vítor Hugo a assumir o papel de maestro. O número 4 do FC Porto fez o empate, a partir dali a turma da casa contrariando as expectativas iniciais – que davam favoritismo aos lisboetas – partiu para uma exibição de gala, arrebatadora, expressa em números volumosos: 13-4 a favor dos azuis e brancos. Nem o recém-eleito presidente portista, Jorge Nuno Pinto da Costa, esperava um score tão dilatado antes da partida, ele que antes da sticada inicial vaticinou que o seu clube iria vencer por 3 golos de diferença. Olarilolé, quais 3 golos de diferença? Foram 9 e podiam ter sido mais, visto que o Sporting não mostrou talento, imaginação, força física, velocidade e frieza nos poucos lances perigosos que construiu, segundo a análise do jornalista da Gazeta que presenciou o encontro, Eugénio Queirós. «A verdade, verdadinha, é que os campeões nacionais e detentores da taça (das taças) tiveram um adversário que não contavam (?) à partida. Esse puto, ou antes, esse senhor, foi Vítor Hugo», escrevia o jornalista para apresentar a grande estrela deste encontro da 1.ª mão da final, precisamente Vítor Hugo, que só à sua conta apontou 7 dos 13 golos portistas, tendo os outros sido da autoria de Alves, Vale (3), e Vítor Bruno (2). O FC Porto na primeira metade deixou algum espaço de manobra aos leões, contra-atacando com uma rapidez estonteante, o que fez com que os golos fossem surgindo em catadupa, como comprova o resultado ao intervalo: 8-2. 

Na segunda parte os portistas mudaram a tática, isto é, passaram do contra-ataque ao ataque, apontando mais 5 tentos e eclipsando completamente as estrelas do Sporting, que eram na altura também alguns dos mais notáveis hoquistas portugueses, casos do guarda-redes Ramalhete (que teve uma noite para esquecer), de Chana (que de acordo com as palavras do jornalista de serviço, nem sei viu), ou de Sobrinho (que foi o menos mau dos lisboetas). A vitória não sofreu qualquer tipo de contestação, sendo que no final, o técnico António Livramento comarcaria por dizer que o «hóquei é um jogo de surpresas, onde tudo pode acontecer. Hoje o FC Porto esteve inspirado e nós tivemos uma noite infeliz. Com certeza que nem os próprios portistas pensavam alcançar tão alargado resultado. Aconteceu. Agora iremos tentar recuperar em Alvalade. Lá, senão conseguirmos a recuperação, terei a certeza de que, como aqui, perdemos de cabeça erguida», disse o lendário ex-jogador. E o trono deixado vago precisamente por Livramento enquanto melhor jogador português – e do Mundo, porque não? – estava prestes a ser ocupado por um jovem chamado Vítor Hugo, o tal número 4 portista que neste primeiro jogo abateu quase sozinho os poderosos leões. Questionado se o talentoso hoquista portista poderia ser o seu substituto enquanto estrela do hóquei, Livramento respondeu que de facto o atleta do FC Porto era «um jogador cheio de vontade e arte, eu conheço-o muito bem. Ele poderá vir a ser uma peça importante no nosso hóquei patinado». Quem teve uma noite horrível foi o titular da baliza do Sporting e da seleção nacional, António Ramalhete, que assumiu as suas culpas neste inesperado e avolumado resultado. «Penso que errei em alguns lances, pois encontro-me longe da minha melhor forma. Mas o último a falhar é sempre o mais notado. Um guarda-redes de hóquei em patins quando se coloca entre os postes não sabe se vai sofrer um, dois, ou dez golos. É imprevisível», disse, enquanto que também Chana lamentava a pesada derrota, ao mesmo tempo que mostrava esperança em mostrar uma outra cara em Alvalade no encontro da segunda mão: «Hoje o Sporting foi manifestamente infeliz e tudo lhe correu mal. Paciência. Em Alvalade iremos tentar retificar a imagem hoje criada»

Do lado dos vencedores vivia-se, naturalmente, um clima de alegria. O treinador portista, João de Brito, colocava um travão na euforia, dizendo que «o resultado não vai afetar a minha equipa e vou avisar os jogadores para não embandeirarem em arco, porque a eliminatória ainda não está ganha». A estrela da noite foi, como já vimos, Vítor Hugo, que à reportagem da Gazeta dos Desportos disse que aquele tinha sido um bom jogo e uma não menos boa vitória. 1982 tinha sido igualmente ano de Campeonato do Mundo, desta feita realizado em Barcelos, tendo o hoquista do FC Porto estado ausente da convocatória do selecionador nacional… António Livramento. No sentido de perceber se esta exibição havia sido, digamos que, um grito de revolta para com Livramento – quer acumulava também as funções de treinador do Sporting –, Vítor Hugo logo tratou de desmistificar essa ideia, referindo que em Barcelos a seleção não precisou dele, «e a prova é que se sagraram campeões do Mundo».

Ao Sporting não chegou sonhar... 

A segunda mão desta final realizou-se na Nave de Alvalade, onde o Sporting tinha uma missão quase impossível de reverter, como se viria a confirmar. Porém, os leões apresentaram uma outra atitude, tendo protagonizado um jogo que foi escaldante, equilibrado, mas com uma «previsível vitória global dos portistas», assim começou por escrever o jornalista da Gazeta encarregue de contar as incidências do encontro, José Carlos Freitas. O Sporting entrou de rompante no rinque, mas seria o FC Porto a gelar os cerca de 3000 espectadores presentes na Nave de Alvalade, quando o inevitável Vítor Hugo correu desde a sua área até à baliza leonina ao longo de 15 metres para desferir um remate que seria desviado com êxito por Alves. O Sporting reagiu, deu a volta ao marcador, com golos de Trindade e Sobrinho, mas antes do intervalo os portistas assumiram o comando do jogo, e Vítor Hugo, Vítor Bruno (em duas ocasiões) e Vale bateram com êxito o guardião Ramalhete, dilatando assim ainda mais a folgada vantagem que traziam da primeira mão. Antes do descanso, Chana encurtou distâncias no marcador, mas a contenda estava mais do que a feição dos portistas que «aproveitando-se do balanceamento ofensivo do Sporting e da sua falta de rapidez, souberam aproveitar da melhor forma o contra-ataque, ao mesmo tempo que, quando de posse de bola, conseguiram enervar os adversários com constantes trocas de bola», assim analisou a primeira metade o jornalista José Carlos Freitas.

Porém, o Sporting melhorou a sua postura na segunda parte, ao passo que os portistas baixaram um pouco o seu ritmo, permitindo uma recuperação digna de registo dos lisboetas no marcador. No espaço de 3 minutos os homens da casa apontaram 3 golos que os colocaram não só na frente do marcador (6-5) como também fizeram os seus adeptos acreditar num possível milagre. Tal não viria a acontecer, já que o esforço acabou por ser inglório, tendo o FC Porto mantido até final a desvantagem de um golo num marcador que ficaria selado com 8-7 a favor dos sportinguistas, mas com um 20-12 no conjunto das duas mãos. «Com efeito, temos para nós que o mais importante nesta partida, para além da vitória do FC Porto no somatório geral, foi a confirmação dos seus jovens hoquistas como jogadores de primeira linha dentro do hóquei português e que podem vir a construir a base de uma futura seleção nacional» analisava em jeito de premunição o jornalista da Gazeta dos Desportos. E estava certo, porque não demoraria muito a vermos nomes como Vítor Bruno, Alves e um tal de Vítor Hugo a serem habituais chamadas à seleção das quinas. Sobretudo este último, que no total das duas mãos marcou 13 golos a Ramalhete. A euforia tomou conta dos portistas no final do jogo, de tal maneira que até se esqueceram de ir receber a taça das mãos de Fernando Pereira, o português que então era o presidente da Comissão Europeia de Árbitros da CERS. Os portistas foram para o balneário festejar e só depois tiveram de voltar ao rinque para receber a taça, que seria entregue ao capitão Vale, perante o olhar da também portista Aurora Cunha, atleta que nesse dia se encontrava em Lisboa para participar nos Campeonatos Nacionais de Equipas em Atletismo e que foi a Alvalade apoiar o seu clube nesta primeira final europeia.

No rescaldo desta final, o treinador azul e branco, João de Brito, diria que este segundo jogo tinha sido muito bom, «em que estiveram frente a frentes duas das melhores equipas portuguesas que praticam um hóquei em patins de grande qualidade. (…) A nossa equipa veio a Alvalade para ganhar a eliminatória. Concordo que tivemos a vitória (neste segundo encontro) ao nosso alcance, mas no computo geral o que importava era a vitória na eliminatória e essa conseguimo-la por 8 golos de vantagem». Também a estrela desta final, Vítor Hugo, estava radiante, embora reconhecendo a eliminatória não «foi nada fácil. O Sporting é uma grande equipa. Ganhou o Campeonato Nacional e nós antes destes dois jogos tínhamos bastante medo do que pudesse acontecer devido à maior experiência dos seus jogadores. Mas depois, demonstrámos que a vitória foi merecida, porque estamos num melhor momento de forma que o Sporting e soubemos tirar o devido proveito». Do lado dos sportinguistas havia tristeza, cabeças baixas na hora de abandonar o rinque, entre elas a do treinador Livramento, que partiu para esta segunda mão com a confiança em alta. «Digo claramente que acreditava na recuperação. Foi por isso que trabalhámos uma semana inteira da forma como o fizemos. Quanto mais não fosse, tínhamos de ir lá para dentro e jogar o nosso melhor, e não para fazer figura de corpo presente e ver os jogadores do FC Porto patinar. Mas as coisas correram-nos mal de início, quando podíamos ter feito 2 ou 3 golos foi o FC Porto que se adiantou no marcador e a partir daí tudo ficou decidido. Perdemos a eliminatória no Porto, já nada se podia fazer agora», disse Livramento. A vitória na Taça das Taças foi não só a primeira gloria internacional alcançado pelo hóquei portista como também seria o primeiro de mais de 1300 títulos (em todas as modalidades do clube) conquistado por Pinto da Costa durante o seu reinado de mais de quatro décadas à frente dos destinos do clube da Cidade Invicta.  E por falar na maior cidade do norte do país, esta recebeu em festa os seus campeões após a epopeia de Alvalade, tendo centenas de adeptos azuis e brancos acorrido à Estação de Campanhã para receber os novos campeões da Taça das Taças.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Lista de Campeões... OK Liga (Campeonato de Espanha)

 

Campeões Nacionais

2024: Barcelona

2023: Barcelona
2022: Liceo Coruña
2021: Barcelona

2020: Barcelona

2019: Barcelona
2018: Barcelona
2017: Barcelona
2016: Barcelona

2015: Barcelona

2014: Barcelona
2013: Liceo Coruña

2012: Barcelona

2011: Reus
2010: Barcelona
2009: Barcelona

2008: Barcelona

2007: Barcelona

2006: Barcelona

2005: Barcelona

2004: Barcelona

2003: Barcelona

2002: Barcelona

2001: Barcelona

2000: Barcelona

1999: Barcelona

1998: Barcelona

1997: Igualada

1996: Barcelona

1995: Igualada

1994: Igualada

1993: Liceo Coruña

1992: Igualada

1991: Liceo Coruña

1990: Liceo Coruña

1989: Igualada

1988: Noia

1987: Liceo Coruña

1986: Liceo Coruña

1985: Barcelona
1984: Barcelona
1983: Liceo Coruña

1982: Barcelona
1981: Barcelona
1980: Barcelona
1979: Barcelona
1978: Barcelona

1977: Barcelona

1976: Voltregà

1975: Voltregà

1974: Barcelona
1973: Reus

1972: Reus

1971: Reus

1970: Reus

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Valongo e o hóquei em patins, um amor retratado e eternizado em livro

Não são muitos os livros que guardam a história desta bela modalidade que é o hóquei em patins. E ainda menos aqueles que guardam a história de um clube. Mas a Associação Desportiva de Valongo não é um clube vulgar. É um emblema que é vivido de forma apaixonada e intensa pelos seus adeptos, de tal modo que o berço que lhe dá o nome, Valongo, está entrelaçado com a do próprio clube. E dessa forma faz todo o sentido que este livro, intitulado “O Hóquei em Valongo – Resumo Histórico 1953 – 1980”, tenha sido escrito. E é apresentação desta obra, da autoria de uma lenda do clube, João Castro Neves, que hoje aqui recordamos à boleia da reportagem por mim realizada a título profissional e que nas próximas linhas é publicada neste museu virtual.

“É por demais sabido e reconhecido que o hóquei em patins é muito mais do que uma mera modalidade para o povo de Valongo. É uma paixão e para muitos um modo de vida. Esse sentimento, digamos, está desde o passado 15 de dezembro retratado no livro “O Hóquei em Valongo – Resumo Histórico 1953 – 1980”,  da autoria de João Castro Neves, e que foi apresentado no auditório António Macedo, na sede do nosso concelho.

Um auditório repleto de entusiastas não só do hóquei em patins, mas acima da Associação Desportiva de Valongo, que mais que um clube é uma paixão para todos os valonguenses. E a história deste livro retrata no seu grosso a vida do popular Valongo no período compreendido entre 1953 e 1980, precisamente os primeiros 27 anos de atividade desta coletividade desportiva. A apresentação deste livro teve casa cheia, com a presença de dezenas de figuras (jogadores, dirigentes, ou associados) do passado e do presente do Valongo. De facto, olhando para a repleta plateia percebeu-se nitidamente o porquê do hóquei em patins e da Associação Desportiva de Valongo serem um motivo de orgulho e ao mesmo tempo de amor para as gentes desta terra.

Para além do autor da obra e do presidente da Câmara Municipal de Valongo (CMV), José Manuel Ribeiro, a mesa de honra desta sessão de apresentação contou com a presença de uma outra figura da história do hóquei em patins do Valongo, João Carlos Paupério, o seu nome. Foram suas as primeiras palavras da noite, ele que foi como que o braço direito de João Castro Neves na feitura deste livro, ou não fosse João Carlos Paupério uma fonte viva da história do clube.

Na sua alocução inicial deu nota de que este livro expressa o amor que há pela terra (Valongo) e pela Associação Desportiva de Valongo. «Povo que não honra o passado não aproveita o presente e jamais terá futuro. É assim a Associação Desportiva de Valongo: orgulho no passado, a viver um grande presente, e a preparar desde já com as camadas jovens o seu futuro», disse João Carlos Paupério, que mais adiante daria nota de que este livro é «um sonho tornado realidade», um sonho partilhado por João Castro Neves e pelo presidente da CMV em editar um livro que «perpetuasse a memória daqueles que inicialmente começaram este grande clube. Poderá não ser um clube grande, mas é um grande clube», sublinhou.

João Carlos Paupério, como já foi dito antes, prestou auxílio ao autor do livro ao longo da execução do mesmo. Sobretudo ao nível da investigação, no apuramento de factos, uma tarefa que foi difícil nas suas palavras. Sobretudo até 1980, porque daí até aos dias de hoje é mais fácil fazer a pesquisa da história do Valongo, já que basta um clique no motor de busca Google e os factos mais recentes da vida do clube estão à vista de todos. Mas de 1980 para trás não foi fácil, porque, e como explicaria, os testemunhos dos jogadores mais antigos divergiam, inclusive, sobre o mesmo jogo que tivessem disputado juntos. Por outras palavras, havia muitas versões sobre um mesmo facto. E João Castro Neves, até pela sua profissão de jurista, «é um homem para quem não basta afirmar, pois quando afirma tem que provar que é mesmo verdade», disse Paupério no sentido de referir que o autor foi fiel às palavras escritas sobre o ponto de vista da veracidade dos factos. «Ele preocupou-se em escrever aquilo que se conseguiu confirmar pelos jornais antigos, o que não era fácil, porque ao contrário dos jornais de hoje, nos antigos (jornais) onde houvesse um buraco metia-se uma notícia. Então, havia notícias de hóquei na página 3, depois na página 5, continuava na página 7, e depois chegávamos à página 7 e não era aí mas na 8, ou seja, a informação estava dispersa, ao contrário de hoje em que está organizada por secções/páginas. Andávamos de folha em folha para conseguir alguma notícia. Além disto, deparamo-nos com livros perdidos, atas desaparecidas, e pelo meio uma pandemia. Arquivos distritais e nacionais encerrados, e toda a informação disponível estava pouco mais que inacessível. Não foi fácil, mas se fosse fácil de certeza que não seria uma tarefa para ele, que é um ideólogo, o selecionador de conteúdos, o cozinheiro desta bela iguaria. Garanto-vos que foram horas e horas de muito sacrifício, de muito trabalho, mas saí desta experiência com a alma cheia. Por isso, se alguma coisa foi omitida neste livro não foi por esquecimento, ou foi porque não constava dos anais da história, ou porque não se conseguiu comprovar que efetivamente se passou assim», frisou no sentido de explicar a "aventura" que foi materializar este livro.

«Falou-se de todos e de tudo? Provavelmente não. Alguns faltarão, não por incompetência de quem escreveu o livro mas pela oração de quem não quis, de quem não pôde ou simplesmente de quem não conseguiu ajudar. No entanto, este livro honra a todos que de uma forma ou de outra fizeram parte desta história», disse João Carlos Paupério, que de seguida passou a apresentar, de forma biográfica, João Castro Neves.

João Castro Neves, um valonguense do Mundo

Nasceu em Valongo, em 1938, mas passou grande parte da sua vida fora da sua terra natal. Muito novo dali partiu com destino a Lisboa onde fez o seu percurso académico na área do Direito. Em Paço de Arcos, outra terra com fortes ligações ao hóquei em patins, serviu o país como oficial da Força Aérea. Foi advogado e exerceu consultoria jurídica em várias câmaras municipais, como por exemplo Évora, ou Vila Franca de Xira. Pelo caminho deste seu percurso de jurista foi professor catedrático e foi ainda deputado da Assembleia Municipal de Valongo, da sua terra natal, que tanto ama, como foi possível perceber. «É um homem simples mas rigoroso, irredutível mas amável. As suas memórias ainda frescas, na busca permanente pela informação fidedigna e o seu coração ligado à terra que o viu nascer, fizeram nascer este livro que é uma preciosidade e que de certeza irá fazer as delícias de quem gosta, vive e sente o hóquei em patins nacional e em particular o hóquei de Valongo», rematou João Carlos Paupério.

De seguida usou da palavra a figura principal desta noite, João Castro Neves, ou o João Loureiro, como era, e é, conhecido nos meandros do hóquei em Valongo. Foi um dos fundadores da Associação Desportiva de Valongo e foi seu jogador de 1956 a 1959.  Na sua longa alocução desfiaram-se memórias destes primeiros 27 anos de vida do clube. Nomes, factos, datas, conquistas, etc. Tudo isto, e muito, mas muito mais, está plasmado ao longo das 687 páginas de um livro que está dividido em cinco capítulos. Os primeiro e segundo capítulos abordam, respetivamente, a história do hóquei em patins a nível mundial e a nível nacional. São sensivelmente 50 páginas. Depois, bem, entra-se na história da Associação Desportiva de Valongo, numa viagem entusiasmante pela vida do clube. O capítulo 3 aborda o aparecimento do hóquei em patins em Valongo, enquanto que no capítulo 4 temos as biografias de aproximadamente meia centena de figuras (jogadores, dirigentes, etc.) que marcaram a história do emblema da sede do concelho. Por fim, no capítulo 5 estão os resumos dos jogos do Valongo desde 1956 até 1980. João Castro Neves daria nota de que este não era o plano inicial que tinha traçado para o livro. Tinha pensado dividi-lo em dois pilares, um focado nos jogos e outro nas biografias das pessoas que fizeram a história do clube. Porém, as tais dificuldades atrás descritas por João Carlos Paupério, como as faltas de relatos dos jornais da época, ou das histórias por vezes mal contadas (por esses mesmos jornais) sobre os jogos, aliada à, por vezes, ausência de atas do clube, fazem com que as cerca de 200 biografias que tinha previsto elaborar ficassem reduzidas a apenas 46, e que todos, mas todos, os jogos desenrolados pelo clube ao longo destes primeiros 27 anos não estejam recordados nestas páginas.

Nesta alocução onde abordou o livro sob o ponto de vista da sua construção, Castro Neves aguçou o apetite dos futuros leitores ali presentes com alguns saudosos factos da história do clube. A título de exemplo, as histórias em volta dos quatro rinques que o Valongo conheceu até aos dias de hoje. O primeiro deles situado no terraço de Mamede Figueira, à época um dos donos da Fábrica Paupério; o segundo na Separadora, que era uma unidade fabril localizada em Campo; o terceiro na Praça (Machado dos Santos); e o quarto no atual Pavilhão Municipal de Valongo. Para Castro Neves, o terceiro foi talvez o mais excitante de todos, recordando um ou outro episódio desportivo que ali se passou e eternizou, como por exemplo um decisivo jogo entre Valongo e Boavista, corria o ano de 1961, em que a equipa da casa tinha obrigatoriamente de vencer para subir à 1.ª Divisão Nacional. A poucos minutos do fim os valonguenses perdiam por 1-5, mas acabariam por vencer por 7-6 e a Praça Machado dos Santos entrou em absoluto delírio. «Histórias encantadoras e deslumbrantes» de uma praça que tinha alma, bairrismo e calor humano, e onde surgiu aquele bichinho de boa índole que infetou todos com esta espécie de encantamento pelo hóquei em patins» conforme recordou o autor que falou de forma apaixonada e emocionado não só pela sua terra como, e sobretudo, pelo hóquei em patins e pelo seu Valongo.  

Hóquei em patins é o maior embaixador de Valongo a nível internacional

Por fim, usaria da palavra José Manuel Ribeiro, que agradeceu ao autor ter aceite o desafio de escrever este livro, agradecimento estendido a todos os que contribuíram para esta obra. «Foi difícil fazer com que João Castro Neves aceitasse este meu desafio de escrever este livro, um livro que é mais uma conquista, um legado que fica escrito. As palavras das pessoas desaparecem rápido, mas um livro fica, ninguém o pode apagar, é um registo que fica para sempre», salientou o presidente da autarquia, que mais adiante referiu que «o hóquei em patins é sem dúvida um dos maiores embaixadores do nome e da alma desta comunidade e uma marca muito forte a nível internacional, mas esta história tem também a ver com a Cultura. Só temos futuro, se tivermos humanismo», disse, não sem antes lançar, ainda que forma indireta, a Castro Neves o desafio de escrever um segundo livro sobre a história da Associação Desportiva de Valongo, desde 1980 até aos nossos dias. A ver vamos se este novo desafio será aceite por um homem que vive e respira Valongo como poucos”.

terça-feira, 2 de abril de 2024

Flashes da Taça das Nações/Torneio de Montreux 2024/ (16)

Final

Argentina - Portugal: 5-2

Golos: Lucas Ordoñez (2), Facundo Navarro, Facundo Bridge, Danilo Rampulla / Hélder Nunes, João Rodrigues

Argentinos vingam última final da Taça das Nações e levam troféu para casa... 

Flashes da Taça das Nações/Torneio de Montreux 2024/ (15)

Jogo de atribuição dos 3.º e 4.º lugares

França - Itália: 5-5 (2-1 nas grandes penalidades)

Golos: Roberto Di Benedetto (3), Rémi Herman, Marc Rouze / Davide Gavioli (2), Giulio Cocco (2), Davide Banini

Pelo trajeto efetuado o bronze assente bem aos gauleses... 

Flashes da Taça das Nações/Torneio de Montreux 2024/ (14)

Meias-finais

Portugal - Itália: 0-0 (3-2 nas grandes penalidades)

Italianos continuam a ter azar na lotaria do penaltis ante portugueses... 

Flashes da Taça das Nações/Torneio de Montreux 2024/ (13)

Meias-finais

Argentina - França: 6-4

Golos: Nolito (3), Lucas Ordoñez (2), Facundo Navarro / Roberto Di Benedetto (3), Bruno Di Benedetto, Remi Herman

Sul-americanos provaram ante a sensação do torneio o porquê de serem a seleção mais forte do Mundo...