Mostrar mensagens com a etiqueta Lendas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lendas. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Lendas (3)... José Leste (Portugal)

Internacional português em 68 ocasiões (14 no escalão de juniores e 54 no patamar de seniores), José Leste foi um dos mais virtuosos hoquistas portugueses dos anos 70 e 80. Nascido no Estoril (Cascais), no dia 8 de janeiro de 1959, José Leonilde Santos Leste começou a jogar hóquei na Associação Juventude Salesiana, com 14 anos de idade. «Comecei a jogar hóquei nos Salesianos com o padre Miguel. Eu andava lá a estudar e via os outros rapazes mais velhos a jogar e achava muita piada ao facto de se andar em cima de umas botas com rodas. Fui começando a aparecer, deram-me uns patins e nem as quedas me desanimavam. De vez em quando é que me magoava nos pulsos, mas continuava sempre, agarrado à vedação até dominar os patins. No ano seguinte já jogava nas escolas, como suplente. Foi assim que comecei», recordou em 1982 o próprio José Leste numa entrevista à Gazeta dos Desportos. 1982 é um ano marcante na carreira do atleta, já que a par de nomes como Chana, Ramalhete, Livramento, Cristiano, Sobrinho, entre outros, reconquista 8 anos depois o título mundial para Portugal, numa épica competição que decorreu em Barcelos. Além do título planetário, Leste foi ainda coroado como o melhor marcador desse célebre Campeonato do Mundo, com 15 sticadas certeiras. Este foi o único grande título que conquistou pela seleção nacional, cujas cores defendeu ainda no Campeonato da Europa de 1981 e nos Mundiais 1984 e de 1986. No que concerne ao seu percurso a nível de clubes, e após deixar os Salesianos, Leste faz uma curta viagem até Lisboa para vestir a camisola do Benfica, na época de 79/80, depois de em 1977 ter dado nas vistas ao serviço da seleção nacional de juniores no Campeonato da Europa. A permanência na Luz é curta – mas ainda a tempo de ganhar um campeonato nacional da 1.ª Divisão –, já que em 80/81 ruma a Itália, onde começa por defender as cores do Pordenone, passando posteriormente pelo Roller Monza e o Viareggioonde. Regressa a Portugal, novamente para o Benfica, ingressando no final desta década no rival Sporting, onde entre outros títulos arrecada uma Taça das Taças. Em termos estatísticos, Leste disputou um total de 133 jogos no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de Portugal, tendo apontado 246 golos; sendo que em provas europeias a nível de clubes disputou 22 jogos e apontou 41 golos em 22 jogos. Faleceu em 2012, vítima de doença prolongada.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Lendas (2)... Carlos Realista (Portugal)

Ele foi um dos hoquistas marcantes de uma das mais talentosas e vitoriosas gerações da modalidade em Portugal. O seu nome é ainda hoje recordado pelos apaixonados do hóquei como um cavalheiro dentro e fora dos rinques, quer pela sua forma de ser, quer pela sua forma de jogar. Falamos de Carlos Realista, defesa/médio de uma classe ímpar que nasceu para o hóquei em patins na "margem sul", isto é, no Barreiro, ao serviço da lendária CUF.  Veio ao Mundo a 2 de maio de 1963, em Alhos Vedros, concelho da Moita, mas seria no seio da CUF que iniciou a sua ligação ao desporto. Primeiro no atletismo, depois no futebol, até chegar ao hóquei em patins, pela mão de uma outra grande figura desta modalidade, Leonel Fernandes, que treinava as escolas do emblema do Barreiro. Realista teria nessa altura uns 8 ou 9 anos. O hóquei em patins entranhou-se de imediato no jovem Carlos, que mais tarde dá o salto para Lisboa, onde começou por representar o Clube Atlético de Campo de Ourique (CACO), emblema que na sua história formou alguns dos melhores hoquistas lusos de todos os tempos, casos de Vaz Guedes, Carlos Bernardino, Vasco Velez, Luís Nunes, e, claro, Carlos Realista, que no início da década de 80 chega a um dos maiores clubes nacionais, o Sporting. No bolso trazia já dois títulos de campeão nacional de juniores conquistados ao serviço do CACO. Sporting que poucos anos antes (1977) tinha encantado a Europa do hóquei através do seu "dream team" que venceu a primeira Taça dos Campeões Europeus (TCE) para Portugal. A fasquia para Realista estava pois alta, já que em Alvalade partilhou o balneário com lendas como Chana, Ramalhete, Vítor Rosado, Sobrinho, ou José Rosado. E no Sporting foi treinado por aquele que é considerado como o maior hoquista do Mundo de todos os tempos, António Livramento, que precisamente em 77 havia terminado a sua brilhante carreira de atleta. Mas Realista não se assustou, pelo contrário, mostrou todo o seu talento e foi pedra fundamental para uma sequência de êxitos nos quatro anos seguintes em que vestiu a camisola do Sporting. E logo na primeira temporada venceu o campeonato nacional da 1.ª Divisão e a Taça dos Vencedores das Taças (TVT), este último o seu primeiro troféu continental que haveria de fazer dele até aos dias de hoje um jogador especial. Mas já lá vamos.  Em 83/84 vence a Taça de Portugal, ao que se seguiu uma nova vitória internacional, desta feita a Taça CERS, após um duplo triunfo na final sobre os italianos do Novara. Na sua última temporada de leão ao peito Realista venceria uma nova TVT, agora ante os alemães do Walsum. Entretanto, a norte de Portugal estava a consolidar-se outra equipa de sonho, outro conjunto que marcou a história do hóquei português e planetário. Era o FC Porto que se preparava para dominar o hóquei nacional e conquistar a Europa em duas ocasiões. E a primeira passagem pela Cidade Invicta não podia ter corrido melhor para Realista, já que nas duas primeiras temporadas de azul e branco (85/86 e 86/87) sagra-se bi-campeão nacional e bi-campeão da Taça de Portugal. A par do domínio supremo a nível nacional venceria a primeira de duas TCE ao serviço dos portistas. Logo na sua primeira época ajuda o Porto a derrotar os italianos do Novara.  Realista era já por esta altura a par de Vítor Hugo, Vítor Bruno, Franklim Pais, António Alves, ou Tó Neves (todos eles do FC Porto) um dos maiores craques do hóquei luso e mundial. Titular indiscutível do FC Porto e da seleção nacional o jogador nascido em Alhos Vedros tem em 87/88 a sua única aventura no hóquei internacional, isto é, a única vez que jogou no estrangeiro. E fê-lo logo num dos maiores e mais laureados emblemas do planeta, o Barcelona. Realista fez por isso história no clube da Catalunha, já que se tornaria no primeiro estrangeiro a atuar pela equipa de hóquei em patins do Barça. Porém, não conseguiu qualquer título na passagem por Espanha. Regressaria a Portugal e ao Porto, onde nos cinco anos seguintes continuou a escrever história, vencendo mais três títulos de campeão nacional (88/89, 89/90 e 90/91), uma Taça de Portugal (88/89), e acima de tudo, a segunda TCE, conquistada em 89/90 diante do Noia. Já na casa dos 30's mas ainda com muito hóquei nos patins viaja em 93/94 para o Minho, onde defendeu por três temporadas as cores de outro grande da modalidade, o Óquei de Barcelos. E quem pensava que Carlos Realista iria para Barcelos descansar enganou-se redondamente, pois foi peça fundamental na conquista do título de campeão nacional de 92/93 e na Taça CERS de 94/95. E voltando atrás nesta breve biografia, quando aludimos a Realista como um jogador especial, porque com este último triunfo europeu esta figura passou a ser o primeiro - e único até à data - jogador português que conquistou troféus internacionais por três clubes diferentes. Realista pendurou os patins ao serviço do Gulpilhares. Como já referimos ele fez parte de uma das mais icónicas gerações do hóquei português, a geração liderada pelo mago Vítor Hugo. Realista esteve presente em 5 Campeonatos do Mundo (84, 86, 88, 89, e 91) e outros tantos Campeonatos da Europa (81, 83, 85, 87, e 90), tendo conquistado um título mundial (em 1991, no Porto), e um cetro europeu (em 87, em Oviedo). Vestiu a camisola da seleção nacional em 180 ocasiões. A brilhante carreira de Carlos Realista foi reconhecida pelo Estado português, que lhe atribuiu as medalhas de Mérito e de Honra.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Lendas (1)... Stefano Dal Lago (Itália)

Ele foi o mago do hóquei em patins italiano, e por consequência um dos mais virtuosos artistas da modalidade a nível planetário. Brilhou, e fez brilhar, na era dourada do hóquei transalpino, ajudando a sua seleção a dominar o planeta do hóquei em parte da década de 80. O seu nome é Stefano Dal Lago, e para muitos ele foi o líder da geração de ouro de Itália que venceu os Campeonatos do Mundo de 1986 e 1988. Dal Lago nasceu em Trissino, a 6 de maio de 1964, e deu os primeiros passos com os patins aos 8 anos de idade no clube da sua terra natal, o Hockey Trissino, emblema onde fez todo o seu percurso de formação. Cedo se percebeu que estava ali um talento puro, e com apenas 16 anos estreou-se na equipa principal do clube. Dois anos mais tarde,  em 1982, o seu nome começa a ser conhecido internacionalmente, pois foi figura central do Campeonato da Europa de juniores ganho pela Squadra Azzura, numa altura em que já atuava na melhor equipa de Itália, o Hockey Novara, que dispunha então dos melhores jogadores italianos. Entre 1983 e 1888 venceu com a camisola do clube de Piemonte três campeonatos de Itália (84/85, 86/87, e 87/88), quatro Coppa Italia (84/85, 85/86, 86/87, e 87/88), e uma Taça CERS (84/85).

Foi na década de 80 que ele liderou a Itália nos Mundiais de 1986 (realizado em Sertãozinho, no Brasil) e de 1988 (disputado na cidade espanhola da Corunha). Em ambos os torneios os transalpinos levaram a melhor sobre os rivais Espanha, Portugal e Argentina, as outras potências do hóquei em patins planetário. No curto espaço de três anos Dal Lago vence dois campeonatos mundiais pelo seu país, que até então só guardava no seu palmarés um título planetário (arrecadado em 1953). No Brasil, a geração dourada do hóquei italiano concluía com êxito um trabalho iniciado quatro anos antes, no Europeu de juniores, exibindo um nível técnico e tático soberbo, um hóquei explosivo, no bom sentido, praticado por uma seleção poderosa com um grande nível físico, tático e mental. Para muitos historiadores da modalidade, Dal Lago era a estrela da companhia, mas havia outras estrelas, outras lendas italianas, como o guarda-redes Cupisti, passando por Tommy Colamaria, Bernardini, Roberto Crudeli, Massimo Mariotti, Bibi Milani, "Cirio" Girardelli, até Pino Marzella. Uma Itália de sonho que não deu hipóteses a uma Espanha onde pontificavam nomes como Torner e Alabart; a uma seleção de Portugal liderada pelo mago Vítor Hugo, e à Argentina (que chegava ao Brasil como campeã mundial em título) onde sobressaía Martinazzo. Nesse Mundial a Itália teve um domínio absoluto, alcançando vitórias contra Portugal (8-3), Espanha (2-1), e Argentina (5-2), terminando em 1.º lugar com 18 pontos - na época o Mundial era jogado em sistema de "todos contra todos", vencendo a seleção que somasse mais pontos. Dotado de uma técnica incrível, capaz de mudar de ritmo de jogo de forma repentina, Dal Lago encantou nesse Mundial.

E faria o mesmo dois anos mais tarde, em território espanhol, quando dos nove jogos disputados a Squadra Azzura venceu oito e empatou apenas um, com Portugal, sagrando-se assim bi-campeã mundial. E foi na sequência deste título, a somar aos triunfos internos com o Novara, que Stefano Dal Lago foi considerado o melhor jogador do Mundo em 1988. E foi como o melhor do planeta que ele viria a falecer de forma trágica nesse mesmo ano de 88, quando no decorrer de um jogo da Taça de Itália entre o Novara e o Forte dei Marmi teve uma paragem cardíaca que o levaria à morte com apenas 24 anos de idade!

Como forma de homenagear esta lenda do hóquei em patins, a cidade de Novara instituiu nos anos seguintes um torneio batizado de Memorial Stefano dal Lago, ao mesmo tempo que o pavilhão do clube passou a ter o nome daquele a quem chamaram de "a borboleta sobre rodas", tal a forma sublime como jogava/patinava.